Após mais de 12h para reintegração de posse da Fazenda Recreio Moreno, nesta terça-feira (29), os membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Assentados e Acampados de Mato Grosso (MTA), prometem que não vão abrir mão do local.

Um dos coordenadores do MTA, Jose Antônio Teixeira, questionou a forma que se deu a desocupação sem qualquer tipo de comunicado prévio para que os assentados pudessem se organizar. Outro pronto questionado pelo representante do movimento foi o fato da ilegitimidade do mandado de reintegração de posse, pois o juiz se declarou incompetente para julgar o caso.

Rosália de Jesus Lima, coordenadora do movimento que foi presa juntamente com outra assentada, afirmou que os policiais agiram com muita brutalidade sem dar condições de retirada dos objetos de dentro dos barracos. “Simplesmente não nos deixaram entrar no assentamento, em muitos barracos foram passados o trator de esteira sem ao menos retirar os objetos de dentro da casa. Sem falar da forma agressiva que formos tratados, por exemplo, fui presa por estar tirando fotografia da ação de desocupação, além de terem quebrado minha câmera” desabafou.

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A coordenadora ressaltou que o juiz de Rondonópolis, que deveria retirar o mandado de reintegração de posse, também se declarou incompetente para julgar o processo e o remeteu a vara de agrícola, em Brasília. Contudo garantiu que os assentados não sairão do local e permanecerão do lado de fora da fazenda, tendo em vista que existe uma decisão judicial que garante o direito de ocupação da fazenda pelo MTA .

A POLÍCIA

O capitão Josadakc disse que o cumprimento do mandado foi executado com tranquilidade e alguns polícias permanecerão no local por alguns dias para garantir a devolução da propriedade. O oficial argumentou que os assentados que não conseguiram recolher os pertences ontem o farão hoje.

Josadack afirmou que a barreira foi montada como forma de evitar tumultuo com a aglomeração de muitos manifestantes, mas que o acesso foi liberado aos poucos e relatou também que os objetos que estavam dentro dos barracos  foram recolhidos. O capitão disse que muitas pessoas simplesmente construíam a casa no assentamento e não moravam no local.

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Quando ao uso de violência o Josadack afirmou que em todo momento foi dada a orientação para evitar confronto e tentado dialogo com os manifestantes, mas que as duas mulheres foram presas por desacato e por promover a agitação dos assentados, o que poderia resultar em conflito, contudo as duas foram liberadas após a desocupação da terra.

O PROPRIETÁRIO

Otacílio Silva, um dos sete proprietários da fazenda, afirmou que toda a documentação da propriedade esta regular e que não é improdutiva, pois é criado gado em parte da área e que o espaço ocupado pelos assentados é uma reserva.

Segundo Otacílio, há mais de 10 anos a propriedade esta em processo de inventário para partilha da herança, o que impede que a área seja melhor explorada, por essa razão os assentados acreditaram que a terra seria improdutiva. Porém afirmou que irá lutar para manter o direito sobre a terra.

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