O julgamento que culminou na absolvição do meia Carlos Alberto sobre o caso de doping na última quarta-feira foi marcado por uma série de curiosidades nos bastidores. Porém, o principal destaque foi a atuação da advogada do Vasco, Luciana Lopes. Com postura firme e deixando-se levar pela emoção, a profissional livrou o jogador de uma possível punição por dois anos e roubou a cena na audiência. Após o resultado, a filha de Rubens Lopes, presidente da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), teve uma crise de choro e aproveitou para desabafar contra as críticas e acusações de possível “apadrinhamento” no futebol carioca.

Carlos Alberto foi flagrado no antidoping após a vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense, no dia 2 de março. O exame deu positivo para Hidrocloratiazida (diurético que combate a hipertensão arterial) e Carboxi-Tamoxifeno (tipo de hormônio), que também podem mascarar a utilização de outras substâncias. A advogada sustentou a tese de contaminação cruzada nos medicamentos consumidos pelo atleta e teve a absolvição por 4 votos a 1. O pleno do TJD tem cinco dias para recorrer da decisão.

Enquanto Luciana Lopes atuava no tribunal da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, na Barra da Tijuca, Carlos Alberto emendava um copo de café no outro na expectativa de ser chamado para depor. Nervoso, o camisa 10 do Vasco tentava sem sucesso ouvir os depoimentos na sala em que foi colocado. Do local, ele não presenciou parte da atuação firme da advogada.

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Luciana Lopes se exaltou com o tempo para fazer a defesa, criticou a estrutura do local e em um momento de dificuldade chegou a pedir a suspensão do julgamento. A fase mais tensa aconteceu quando ela fez o discurso final. A advogada se alterou após comentário de que estaria “dando show” na audiência. Um pedido de desculpas por parte da auditoria deixou o clima mais ameno. As provas documentais foram então analisadas e aceitas.

Abraçada com Carlos Alberto, Luciana Lopes acompanhou a votação e chorou copiosamente com o atleta vascaíno. Na sequência, se agarrou ao pai Rubens Lopes e permaneceu em silêncio. Cumprimentada pelos advogados presentes, que definiram a sua atuação como “brilhante”, ela recebeu o apoio do meia e desabafou contra as acusações de favorecimento no futebol carioca.

“Muita gente ruim diz ser um absurdo a minha atuação na defesa de um atleta por ser filha do presidente da federação. Sou filha dele com muito orgulho e milito no tribunal há 13 anos. Ou seja, bem antes de o meu pai assumir a entidade. Esse tipo de coisa coloca o próprio tribunal em xeque. Mas o tribunal é completamente independente. Defendi o Juninho Pernambucano no ano passado e aconteceu a mesma coisa. É preciso virar essa página. Se for assim nenhum filho de jogador pode trabalhar. É um absurdo. Mas é ruim ter que provar a competência a cada julgamento por ser filha do Dr. Rubens Lopes”, afirmou.

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presidente da Ferj demonstrou apoio à filha e rechaçou a possibilidade de favorecimento no TJD/RJ (Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro). “A Luciana participou de uma decisão importante e não poderia deixar de vir. O Vasco confia nela pela sua competência. A minha influência não decide nada”, assegurou Rubens Lopes.

A advogada do Vasco, que recebeu o carinho de Carlos Alberto com a frase “jamais vou esquecer o que fez por mim”, não deixou de criticar o tribunal e justificou os momentos em que precisou se exaltar durante a defesa.

“Vivi esse doping com o Carlos Alberto durante um mês. Não é fácil você ser acusado por uma coisa que não fez. Ouvi durante 30 dias que o atleta seria suspenso e que não adiantava fazer nada. Não é fácil você ter apenas meia hora para o discurso final. Graças a Deus a comissão aceitou os argumentos e pude abordar os pontos que considerei importante. Agradeço a todos que confiaram em meu trabalho e sei que preciso fazer mais pela frente”, encerrou Luciana Lopes ao ser abraçada pelo filho Arthur.

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Entenda o caso
Carlos Alberto foi flagrado no antidoping após a vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense, no dia 2 de março. O exame deu positivo para Hidrocloratiazida (diurético que combate a hipertensão arterial) e Carboxi-Tamoxifeno (tipo de hormônio), que também podem mascarar a utilização de outras substâncias. O meia apenas treinava no Cruzmaltino já que estava suspenso preventivamente.

A defesa do jogador alegou contaminação cruzada dos medicamentos ortomoleculares utilizados pelo atleta e confeccionados pela farmácia de manipulação Silvestre. O meia Deco, do Fluminense, foi flagrado no exame antidoping com as mesmas substâncias realizadas pelo laboratório em questão. O esforço foi reconhecido pelo tribunal, que comprou a versão dos advogados do Vasco e absolveu o jogador.

O nadador Cesar Cielo utilizou a mesma estratégia de defesa em 2011. Flagrado com Furosemida, o atleta argumentou em julgamento na CAS (Corte Arbitral do Esporte) e recebeu apenas uma advertência. Já o atacante Dodô não teve a mesma sorte e foi suspenso por dois anos pela instituição após alegar a chamada contaminação cruzada.

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