Na bola, David Beckham fez muito mais do que seus detratores reconhecem: integrante de um supertime do Manchester United que durante seus 10 anos em Old Trafford conquistou sete títulos ingleses e uma Liga dos Campeões da Europa, ele foi ainda campeão nacional por Real Madrid, Los Angeles Galaxy e Paris St. Germain, além de passar pelo Milan. Um currículo invejável e que aliado ao impacto cultural de Beckham faz do inglês uma espécie de craque pós-moderno.

Beckham foi protagonista de uma transformação do futebol para algo mais além do esporte e mais perto da indústria do entretenimento. Bonito (por que não?), o londrino se tornou a grande pin-up dos gramados e tamanho sucesso levou a generalizações injustas. Sim, a aparência fez de Beckham uma galinha dos vos de ouro na era do futebol-negócio, ao ponto de seu apelo comercial ter influenciado a decisão do Real Madrid de contratá-lo do United, em 2003 – diretores do clube espanhol se gabaram publicamente de que os 35 milhões de euros pagos pelo meia dariam retorno em pouco tempo só com a venda de camisas.

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Mas resumi-lo a um mero instrumento de marketing vai contra não apenas as evidências, mas também de encontro aos depoimentos de jogadores e treinadores. O inglês é frequentemente descrito com um profissional aplicado e de uma humildade surpreendente para quem carrega um dos rostos mais conhecidos do mundo. Em 2007, quando ainda era cortejado pela seleção inglesa, Luiz Felipe Scolari disse que, caso assumisse o cargo, tentaria convencer o jogador a rever uma aposentadoria internacional anunciada pouco após o Mundial da Alemanha. ‘’Você levanta o dedo e ele pode colocar a bola na ponta do seu dedo. Futebol hoje pode ser decidido numa bola parada’’, contou Scolari.

E Beckham era mortal nessas situações, como diversos vídeos no Youtube podem mostrar a qualquer interessado. A importância dele para o esporte, porém, transcende qualquer feito sobre a grama. Atleta e pop star, ele ajudou a tornar o futebol muito mais vendável. Beckham pode não ser um primor de eloquência – na verdade, a TV  britânica está repleta de comediantes zombando da dicção e do sotaque do agora ex-jogador – mas sua imagem de galã tornou-se gigante, mesmo depois de um escândalo de adultério nos tabloides ingleses.

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Barbearias britânicas e do resto do mundo se acostumaram a receber clientes em busca do mais recente penteado do inglês. É justo dizer que o caminho aberto por Beckham é agora trilhado até por Neymar. Pelé, ele nunca tentou ser. Marcou apenas 114 gols na carreira. Mas tem apelo global comparável ao do brasileiro. Tanto que foi nele que a Liga Americana de Futebol (MLS) depositou suas esperanças de revigorar o torneio ao buscar o meia em Madri em 2007. Nos cinco anos que passou em Los Angleses, Beckham catapultou o perfil de um campeonato esquecido.

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