A inadimplência do brasileiro continua crescendo, mas a um ritmo menor. De acordo com os indicadores de inadimplência do consumidor e de vendas a prazo no comércio, divulgados essa semana pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o percentual registrado em abril deste ano foi 5,84%, com relação ao mesmo mês do ano passado. O índice é o menor desde agosto de 2012, quando alcançou 5,75%.

Em março, o índice atingiu seu pico (10,58%), sempre com referência ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, entre janeiro e abril, a inadimplência registrou um aumento de 8,72% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2012.

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Na avaliação do SPC, o crescimento mais ameno dos calotes em abril confirma as expectativas da entidade e está relacionado ao chamado efeito calendário, já que o consumidor tende a retomar o controle das finanças a partir do fim do primeiro trimestre – período em que se concentram grandes volumes de gastos com impostos e parcelas remanescentes das compras de final do ano.

“Nossos índices apresentam melhora. Há avanço das vendas, em mais de 7%; a inadimplência, apesar de parecer ter um número alto, flutua pari passu [simultaneamente] com as vendas, um pouquinho para cima ou para baixo. Isso é normal e mostra que deveremos chegar ao final do ano cumprindo nossas expectativas de varejo, de 6%”, disse o presidente da  CNDL, Roque Pellizzaro Junior.

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Pellizzaro acrescentou que o indicador identificou que o orçamento das famílias está dando condições para que elas quitem parcelas antigas. “As pessoas estão conseguindo sair [dessas dívidas contraídas anteriormente]. Prova disso é o aumento do cancelamento de registros no SPC [o que representa capacidade de recuperação de crédito pelo consumidor], que na comparação abril de 2013 com abril de 2012 aumentou 6,92%”, disse. No acumulado do ano, que abrange o período entre janeiro e abril deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, o índice de cancelamentos ficou em 7,33%.

O volume de concessão de crédito para pessoas jurídicas também favoreceu o cenário. “Esse grupo [as pessoas jurídicas] é um público cuja inadimplência costuma ser muito menor”, completou Pellizzaro.

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O dirigente disse que o mercado de crédito passa por transformação no Brasil. Segundo ele, quem concedia crédito para consumo no Brasil era o varejo, mas há cerca de três anos os bancos passaram a comprar créditos varejistas e se interessaram pelo negócio. O panorama, entretanto, está se revertendo.

“Separar o [setor] varejista do financeiro não se mostrou eficaz porque os bancos entraram nesse negócio de forma extremamente criteriosa [dificultando o acesso ao crédito]. Com isso, as vendas dos varejistas começaram a cair. Essa tendência recuou e os varejistas voltaram a oferecer crédito”, acrescentou.

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