A tarifa média do gás para a indústria no Brasil é de US$ 17,14/MMbtu, enquanto nos Estados Unidos o valor é de US$ 4,45/MMbtu, por conta do advento do shal e gas (gás de xisto). Essa diferença representa, para a indústria brasileira, gasto adicional de US$ 4,9 bilhões por ano. Os dados estão no estudo “O preço do gás natural para a indústria no Brasil e nos Estados Unidos – Comparativo de Competitividade”, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Sistema FIRJAN. A indústria brasileira consome 10,4 bilhões de m3/ano de gás natural por ano, o que equivale a um custo de US$ 6,6 bilhões. Transposto para os Estados Unidos, esse consumo equivale a um gasto de apenas US$ 1,7 bilhão.

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O impacto dessa disparidade se faz sentir em empresas de todos os portes. No caso de uma microempresa brasileira, uma padaria de bairro, por exemplo, que possui de cinco a sete empregados e consumo de gás natural de aproximadamente 1,5 mil m³/mês, a perda de competitividade é de R$ 29,7 mil por ano na comparação com os Estados Unidos. Par a uma empresa química com cerca de 600 empregados e consumo de gás natural de aproximadamente 2,7 milhões m³/mês, o gasto adicional em comparação com empresa americana do mesmo porte é de R$ 29,8 milhões. O gás natural tem participação relevante no custo de produção de setores industriais de peso na economia brasileira, como a indústria química (30%) e cerâmica (25%), por exemplo.

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O estudo mostra que a melhoria da competitividade do gás no Brasil depende de mudanças estruturais, e que a redução do preço da molécula (parcela variável) é um primeiro passo necessário e importante. No entanto, mesmo que o Brasil consiga ter o mesmo custo da molécula (parcela variável) do gás natural dos Estados Unidos, a tarifa para a indústria cairia para US$ 11,78/MMBtu, ainda quase o triplo do valor praticado nos Estados Unidos, devido ao peso dos demais componentes – transporte, margem de distribuição e tributos (PIS/Cofins e ICMS) – no preço do gás no país. “A queda da tarifa seria significativa, e representaria um importante avanço. Para se tornar realmente competitivo em gás, no entanto, o Brasil precisa incluir na agenda o enfrentamento de todos os demais componentes que formam o seu preço: transporte, margem da distribuição e tributos”, diz o economista Cristiano Prado, gerente de Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema FIRJAN.

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