O número de cruzeiros de navios no porto de Santos (SP) caiu até 30% neste ano em relação ao ano passado. O total de minicruzeiros (viagens de uma a três noites) caiu 29,4% (de 68 para 48). Os cruzeiros longos (com mais de três noites) recuaram 20% (de 205 para 164).

Em relação ao número de passageiros, a queda foi de 15%, indo de 991,9 mil para 846 mil turistas.

Os dados foram divulgados como balanço após o fim formal da temporada, em 22 de abril.

Especialistas apontam algumas razões para a redução. Entre elas, o fim da “novidade” dos cruzeiros, a mudança do perfil do turista, que está preferindo viagens mais longas, e o que consideram falta de estrutura do porto.

Com menos navios e predominância de cruzeiros mais extensos, diminuiu também a quantidade de dias em operação no terminal –de 121, na temporada anterior, para 104 nesta.

Segundo a gerente-geral da Concais (que administra a área de passageiros do porto, Sueli Martinez, o número de turistas deve cair ainda mais.

“Não temos números fechados, mas o total de passageiros deve cair na próxima temporada porque a [empresa] Costa irá retirar da escala, em Santos, dois de seus três navios”, declarou. Para ela, o número de passageiros deve se estabilizar em 2016.

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PERFIL DO TURISTA

O diretor-geral do Grupo Costa para a América do Sul, Renê Hermann, diz que “o perfil do brasileiro hóspede de cruzeiro está se modificando”.

“Percebemos um aumento de interesse dos brasileiros para os destinos da Argentina e do Uruguai. Para aumentarmos nossa presença na região com qualidade e atendimento diferenciado, optamos por ampliar o número de roteiros mais longos”, afirma.

Para a temporada 2013/2014, o Grupo Costa –ao qual pertencem a Costa Cruzeiros e a Ibero Cruzeiros– oferecerá mais viagens de longa duração no continente, que variam de seis a nove noites.

Na opinião do economista José Pascoal Vaz, professor da UniSantos (Universidade Católica de Santos), viajar de navio deixou de ser “novidade”. “O número de pessoas que ainda não fizeram cruzeiros diminuiu. Com isso, o potencial de crescimento [do setor] é menor.”

Há quatro anos trabalhando com a venda de passagens para cruzeiros, a atendente de turismo Maria Gorete da Silva Alves disse que o modelo de viagens de curta duração em navios “cansou um pouco” e, com isso, “a queda [na procura] é grande”.

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“Os roteiros são sempre os mesmos: Rio, Ilhabela [SP], Búzios [Armação dos Búzios, RJ]. A cotação do dólar também influi um pouco”, disse.

EMPRESAS RECLAMAM

A MSC Cruzeiros, que teve dois transatlânticos na atual temporada de Santos, afirma que o crescimento do mercado de cruzeiros está limitado porque o porto precisa ser ampliado.

Renê Hermann, do Grupo Costa, afirma que “em Santos, particularmente, se há mais de um navio previsto para atracar no porto no mesmo dia, é muito comum um dos navios ter que ficar posicionado a uma distância muito grande do terminal de passageiros, precisando de serviço de van para fazer essa locomoção [de viajantes]”.

Existem três pontos de atração de transatlânticos. Há, no entanto, ocasiões em que chegam até oito navios de cruzeiro no mesmo dia. Isso faz com que alguns dos navios atraquem a até 1,5 quilômetro de distância do terminal.

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Nesse caso, parte dos passageiros tem de trafegar em meio a caminhões, trens e trilhos destinados à movimentação geral de cargas.

ADMINISTRAÇÃO

Desde novembro, a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo, administradora federal do porto) faz obrasno cais onde fica o terminal de passageiros.

O cais aumentará de 630 para 1.320 metros. Os serviços estão previstos para terminar às vésperas da Copa do Mundo –no final de maio do ano que vem, disse o presidente da estatal, Renato Barco.

Ao custo de R$ 266 milhões, a obra integra o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Copa e, segundo Barco, se destina a aumentar, de três para até cinco, o número de atracações simultâneas perto do terminal.

“Teremos um serviço muito melhor para os passageiros, que não vão ter de andar de ônibus do navio até o terminal”, afirma. “Como a quantidade de passageiros diminuiu e virão navios maiores [na próxima temporada de cruzeiros], o cais estará, até, superdimensionado.”

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