Thomas Samson/AFP
Thomas Samson/AFP

 

O ator francês Alain Delon, de 77 anos, disse que perdeu “a paixão” pelo mundo que o rodeia e que passa a maior parte de seu tempo “à toa”, rodeado de seus animais de estimação enquanto tenta desfrutar ao máximo de seus filhos e seus netos para “não morrer sozinho”, em entrevista publicada nesta quarta-feira (15) pela revista “Paris Match”.

“Fui tão feliz como não se pode ser toda a vida. E quero compartilhar o máximo que puder com meus filhos. Não quero morrer sozinho”, disse o ator de “Rocco e seus irmãos” e “O leopardo”, “O sol por testemunha” e outros filmes.

O célebre galã francês reconhece que é um homem nostálgico que frequentemente olha para o passado e diz que não teme a morte porque é a única certeza de uma existência, que agora gira em torno de seus netos e seus filhos.

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“O mundo atual não me agrada demais. Nada me excita realmente e eu era uma pessoa apaixonada. O que me falta é vontade, paixão. Mas vou despertar, talvez”, declarou.

Uma versão restaurada de “O Sol por Testemunha”, dirigido pelo falecido René Clément e estreada em 1959, será projetada no próximo dia 25 de maio durante o Festival de Cannes, mostra com a qual Alain Delon mantém uma relação de amor e ódio.

A exibição do filme será “um flashback doloroso por causa das pessoas que amava e que já não estão aqui”, antecipou Delon, que foi pela primeira vez a esse festival em 1957, quando ainda era um rosto anônimo e voltou em várias ocasiões, embora não tenha sido convidado em 1997, algo que lhe irritou.

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“O mundo inteiro estava convidado para o 50º aniversário do festival, principalmente americanos, obviamente. Todo o mundo, exceto (Jean-Paul) Belmondo e Delon”, lembrou.

Delon também tem boas lembranças das mulheres com quem trabalhou, como Katharine Hepburn, Ava Gardner, Laurent Bacall e Brigitte Bardot, atriz com quem mantém uma “amizade muito próxima há 50 anos”.

Sempre cercado de beldades, o ator que fez sonhar milhões de mulheres de todo o mundo também já foi rejeitado. “Claro que já fui rejeitado, inclusive por desconhecidas. Sofri muito… Mas a maioria aceitou”, comentou a lenda do cinema que se diz aposentado e só deixa a porta aberta a Luc Besson e Roman Polanski.

“O cinema atual evoluiu em um sentido que não me agrada. Antes, você se jogava em uma poltrona vermelha para ver Ingrid Bergman beijar Cary Grant e sonhar. Uma vez roubado o sonho, o cinema não me interessou mais”.

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