Um grupo de cerca de 150 índios da etnia Munduruku começou a desocupar na manhã desta quinta-feira (13) a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília, segundo a assessoria de imprensa do órgão. Oriundos do Pará, eles deverão voltar para o estado em avião da Força Aérea Brasileira ainda nesta quinta.

Os mundurukus ocupavam o prédio principal da Funai desde a última segunda (10). Eles chegaram a Brasília na terça-feira da semana passada para participar de reunião na Secretaria-Geral da Presidência e deveriam retornar no dia seguinte. O grupo é contra a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia e pede para ser ouvido sobre as obras.

A retirada dos índios foi decidida na tarde desta quarta, segundo a Funai. À noite, o grupo se reuniu com a presidente da Funai, Maria Augusta Assirati, e com a diretoria colegiada do órgão.

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A Funai informou que a providenciou alimentação aos índios durante todos os dias em que eles permaneceram no prédio do órgão e concordou que eles ficassem no local pacificamente. Segundo a Funai, também foi providenciado traslado para que os índios cumprissem agenda no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça.

O munduruku Josias Manhuay informou ao G1 que o grupo retorna ao Pará insatisfeito com o governo. “O governo não quer consulta prévia sobre a construção das hidrelétricas. Por enquanto, nossa luta está só no começo. Vamos continuar. Se for preciso, vamos voltar a Brasília. A nossa luta já se mostrou. Já fizemos manifestação, já tentamos dialogar com o governo, mas ele não quer conversar com a gente”, declarou.

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Nesta quarta, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou que o governo “respeita” os índios, mas destacou que as obras para instalação de novas usinas hidrelétricas serão “executadas”, mesmo sob contrariedade de comunidades indígenas.

Os indígenas pedem para ser ouvidos pelo governo em consulta pública sobre os impactos ambientais que serão provados por três grandes empreendimentos: hidrelétrica de Belo Monte, no rio Kingu (Pará); hidrelétrica Teles Pires, no rio Teles Pires (Mato Grosso do Sul) e o Complexo Hidrelétrico de Tapajós, no Rio Tapajós (Pará).

Os manifestantes que estava na sede da Funai são da mesma etnia do grupo que, no final de maio, haviam invadido a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, em protesto contra a construção da usina. Na última quinta (6), o grupo foi impedido de entrar no prédio do Congresso Nacional pela Polícia Legislativa.

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