A Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto foi averiguar a situação das escolas estaduais no município de Cáceres (220 km de Cuiabá). Das 18 unidades escolares das zonas rural e urbana, 10 escolas foram visitadas na sexta-feira (14), deputados Airton Português, vice-presidente da Comissão e o membro titular Ezequiel Fonseca, que identificaram que 90% dos colégios visitados têm problemas na infraestrutura, desde paredes rachadas a infiltrações. A principal reclamação é a rede de energia muito antiga repleta de gambiarras e as quadras poliesportivas sem coberturas.

A Escola Estadual Mário Motta foi a primeira a ser visitada. Assim que os parlamentares chegaram, estudantes faziam protesto pedindo providências. Há 34 anos, o colégio não recebe uma reforma geral, são feitos apenas pequenos reparos que resolvem o problema de forma paliativa, mas não são suficientes.

A diretora Zilda Conceição elencou inúmeros problemas como infiltração a rede de energia defasada com gambiarras e fios espalhados por toda parte. “As salas têm ventiladores, muitos não funcionam, queimam com facilidade junto com as lâmpadas. Precisamos urgente da reforma geral, ter um transformador. A atual rede elétrica não suporta a instalação de ar condicionado. Os estudantes sofrem muito com o forte calor, as salas ficam parecendo sauna”, desabafou, ao mencionar que já enviou documentos para a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) para resolver o problema e nada foi feito.

O que mais chamou a atenção dos deputados foram dois colégios. A escola Estadual Mário Duílio Evaristo Henry localizada no distrito Nova Cáceres , no antigo assentamento Sadia, que funciona de forma improvisada. A escola com total infraestrutura começou a ser feita, porém, a empresa responsável pela construção abandonou a obra incompleta há vários anos. Os alunos estudam num barracão improvisado. A quadra de esportes é em meio aos pés de mangueiras. As duas salas de aula ficam ao lado, parte de uma parede separa as salas.Lá estudam 84 alunos.

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Segundo a diretora Mirian Zibiani, o barracão já caiu duas vezes. “Contamos com o apoio dessa Comissão para que a escola retome as obras e possa ser utilizada garantindo conforto e segurança aos alunos”, destaca.

Enquanto o colégio Mário Duílio não dispõe de infraestrutura nenhuma, a escola 12 de outubro, próxima ao assentamento Nossa Senhora Aparecida recebeu um investimento na ordem de R$ 1.142.000, na comunidade Sapiquá, 60 km de Cáceres. A escola conta com infraestrutura de ponta e tem a capacidade de atender 350 alunos. Começou a ser construída no final de 2009 e ficou pronta no final de 2011. Conta com seis salas de aula, sala de informática, banheiros e quadra poliesportiva coberta com arquibancada. Pronta há um ano e meio, a escola está fechada, não tem energia e nem água. Para funcionar é preciso a instalação de um transformador e fazer o encanamento para puxar a água do poço do assentamento. Além disso, é preciso também fazer a via de acesso que não tem asfalto e/ou cascalho, na época da chuva a rua fica intransitável.

A Escola Frei Ambrósio atende 1.130 alunos do 1º ao 3º do ensino médio. Segundo o diretor Luizinho Lemes da Silva, o grande entrave é a enchente. Basta chover para inundar a escola comprometendo todos os materiais. Outro problema é a instalação elétrica antiga.

“As salas de aula contam com cinco a sete ventiladores, a maioria não funciona mais. Precisamos instalar os condicionadores de ar, já temos algumas unidades, mas a nossa rede elétrica não permite, é muito velha. Precisamos de um transformador”, enfatiza.

O Colégio Dr. Leopoldo Ambrósio Filho também precisa de uma reforma geral. Segundo a diretora Luciane Fermiano, o banheiro foi reformado, mas ainda fica ao lado da cozinha. “Queremos fazer algumas mudanças e precisamos urgente de um transformador porque a fase cai direto. E não podemos instalar ar condicionado. Ganhamos uma quadra completa do Ministério da Educação (MEC), mas a empresa que ganhou a licitação começou a obra e abandonou desde 2011”, disse.

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A diretora Jane Beloti da escola Professora Maria das Graças de Souza disse que a instituição de ensino atende 1.100 alunos, mas com o atual ‘boom’ da construção civil, o número de conjuntos habitacionais sendo construidos próximos ao colégio é muito grande. A quantidade de vagas ofertadas é considerada muito pouca para a demanda.

“Precisamos da construção de mais escolas aqui na região”, declarou. Os deputados receberam um ofício das mãos da diretora com algumas reivindicações de melhorias para a escola. O ofício tem a assinatura de mais de 1.000 pais solicitando a cobertura da quadra. Segundo a diretora, o vice-presidente Michel Temer, o governador Silval Barbosa estiveram na escola no ano passado prometeram fazer a reforma e nada foi feito.

A escola Desembargador Gabriel Pinto de Arruda protocolou um documento solicitando a construção de uma quadra poliesportiva coberta; a construção salas para laboratório de informática, biblioteca, sala de recursos e duas salas de aula; adequação do telhado entre outros e aguarda os recursos. A Escola Onze de Março está realizando uma reforma, de acordo com o diretor Balmes Rojas Drulh, o problema é a falta de segurança. “A adequação elétrica e estrutural está sendo feito, mas no período de aulas, o que pode ocasionar acidentes com nossos alunos”, reforça.

Na Escola São Luiz a coordenadora Marilice Caldeira pediu ajuda dos deputados para a instalação de um transformador. “As tomadas estão todas abertas, um perigo. A quadra foi construída, porém de forma inadequada. A parte elétrica dá problemas cai a fase ou a energia para de funcionar. As salas tem ventiladores, mas a maioria não funciona.

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RAIO X

Os deputados destacaram a importância da visita a cada uma dessas escolas para acompanhar as dificuldades e o que está sendo feito. Nenhuma delas recebeu uma reforma geral, apenas pequenos reparos de caráter emergencial que não resolve os problemas. “Com base no que vimos vamos levar os problemas para a Comissão e fazer um documento para enviar ao Governador Silval Barbosa e para o secretário de Educação, Saguás Moraes, para que sejam tomadas as devidas providências”, destacou Português.

O deputado Ezequiel Fonseca reiterou que é inadimíssivel empresas ganharem licitação e depois abandonarem as obras. Os estudantes sofrem as consequências. “Vimos uma escola que não tem nada e funciona e outra que tem tudo e está fechada. Temos que estudar formas de mudar essa realidade. Alunos sofrendo com o forte calor sem ar condicionado nas salas e sem cobertura nas quadras. Educação tem que ser prioridade, sempre”, argumentou

As escolas visitadas foram: Mário Motta (bairro São Luiz); 12 de Outubro (Sapiquá, 60 km de Cáceres); Frei Ambrósio (Junco);
São Luiz (Vila Mariana); Onze de Março (Centro); Demétrio Costa Pereira (Cidade Alta); Leopoldo Ambrósio Filho (DNER); Ana Maria (Cohab Nova);Gabriel Pinto (Jardim Padre Paulo); Mario Duílio Evaristo Henry (Distrito Nova Cáceres, antigo Assentamento Sadia).

Compõe a Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto, o deputado Alexandre César (PT) que é o presidente; vice-presidente: deputado Airton Português; membros titulares: os deputados Emanuel Pinheiro, Ezequiel Fonseca, João Malheiros e Membros suplentes: os deputados Romualdo Júnior, Walter Rabelo, Hermínio J. Barreto, Dilmar Dal´Bosco e Wagner Ramos.

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