A repressão da PM (Polícia Militar) a uma manifestação no entorno do Maracanã deixou protestantes feridos e incomodou até quem não tinha nada a ver com o ato. No domingo, minutos antes do estádio do Rio de Janeiro receber seu primeiro jogo da Copa das Confederações, em meio a muita confusão e tumulto, um estudante levou dois tiros de bala de borracha e um torcedor viu uma bomba de gás lacrimogênio estourar ao seu lado.

Fernando Matos foi um dos cerca de mil manifestantes que se reuniu nas proximidades do Maracanã para reclamar do aumento da tarifa de ônibus e o custo de vida do Rio. Estudante de Direito da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ele segurava um cartaz quando a Tropa de Choque avançou sobre o protesto. Correu.

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Foi perseguido pelos policiais e resolveu parar. Viu o policial mirar e atirar contra ele. Foi atingido pela primeira vez na canela.

Ao sentir o impacto, levantou os braços. Mesmo assim, recebeu mais um tiro. Desta vez no peito. “Não reagi em nenhum momento”, disse ele. “Corri para me proteger, parei e levantei os braços”.

Djair Freitas também não reagiu. Ele, aliás, não tinha nada a ver com o protesto no Maracanã nem com a ação policial. Apesar disso, minutos depois de desembarcar na estação São Cristóvão do metrô, foi recebido com uma bomba de gás lacrimogênio lançada pela PM.

“Quando vi, a bomba estava do meu lado”, contou ele, enquanto tossia e limpava os olhos. “Só deu tempo de saltar e ver a fumaça subir. É muita confusão”.

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A PM iniciou um confronto contra manifestantes minutos antes da partida entre México e Itália. Bombas de gás, tiros de bala borracha e gás de pimenta foram usados para conter o protesto, que era pacífico.

Em entrevista coletiva depois do jogo no Maracanã, o porta-voz da PM, Frederico Calda, negou excessos da corporação. Justificou a ação da policia dizendo que o protesto poderia levar ao cancelamento da partida.  “Houve depredação, bloqueio de vias. Se não tivesse isso, não haveria bombas e gás lacrimogêneo”, disse ele.

Não foi divulgado um número de feridos ou detidos na ação da policia. Durante as cerca de duas horas em que os policias enfrentaram os manifestantes, o Uol esporte viu pelo menos três pessoas sendo carregadas após inalarem gás ou spray de pimenta. Nenhum deles era manifestante. Todos eram somente pessoas que passavam perto do local do confronto.

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