arma apreendidaDois anos depois de lançada a Campanha Nacional do Desarmamento, que só em Mato Grosso recolheu quase seis mil armas de fogo, a proporção de homicídios à bala no Estado cresceu, no mesmo período, quase 20%.

Em 2010, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, o número de mortes causadas por armas de fogo correspondia a 46% do total de homicídios registrados (886). Em 2012, a modalidade respondeu por 55% dos 903 casos registrados.

Os números foram reunidos e apresentados ontem pelo pesquisador Naldson Ramos, coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da UFMT, durante um dos debates do 7º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), encerrado ontem em Cuiabá.

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Segundo Ramos, os resultados não significam que o incentivo ao desarmamento falhou, mas que necessita ser complementado com políticas para retirar de circulação as armas vendidas de forma clandestina.

“A população está atendendo ao pedido do governo de entregar as armas, no entanto, significa que as políticas de retirada das armas em circulação estão falhando. Ou estão sendo pouco eficientes”, avaliou o pesquisador.

Um dos passos, na opinião de Ramos, seria o aumento da repressão ao mercado informal.

“Bandido não compra arma de fogo, pois isto deixa rastro. Se alguém quer cometer um crime de homicídio, ele vai buscar armas no mercado informal. Estes números significam que o comércio ilegal ainda existe e está forte.”

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Não é apenas o mercado informal de armas que se fortalece. Recentemente, o jornal O Globo publicou um levantamento feito pela Polícia Federal mostrando que, nós últimos cinco anos, houve um aumento expressivo na compra e registro de armas novas -em Mato Grosso, segundo o jornal, foram registradas 1.403 armas em 2012.

“Acho que tem que continuar insistindo no desarmamento da população civil. A população que ainda tem arma de fogo precisa ter clareza de que é uma fornecedora de arma de fogo para bandido. Essa arma, se não se voltar contra ela mesma, vai se voltar contra o cidadão”, disse Ramos.

No caso dos homicídios, grande parte tem relação com execuções e disputas de gangues por território. “Uma parte menor é relacionada com vinganças e conflitos interpessoais, com muitos casos de violência contra a mulher”.

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Segundo o pesquisador, os homicídios relacionados ao crime organizado têm relação direta com a ausência do Estado. “O crime, quando o Estado não ocupa o espaço, não está presente, passa a ocupar o espaço e fazer valer a sua lei, onde está instituída a pena de morte.”

Ele citou o fato da maior parte das vítimas ser jovem. “Muitos dos que estão morrendo têm de 14 a 29 anos de idade. Faltam alternativas diferenciadas daquilo que o mundo do crime oferece. Falta escola, qualificação profissional, esporte, tudo isso ao mesmo tempo.”

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