Foto: reprodução
Foto: reprodução

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou ontem ranking com 48 ocupações profissionais regulamentadas no país com formação superior que aponta os maiores salários e a geração de empregos de cada uma delas. O levantamento coloca medicina no topo com ganho médio mensal de R$ 8.459,45 e traz informações sobre a taxa de ocupação, jornada de trabalho e cobertura previdenciária.

Os números foram apresentados a jornalistas em uma videoconferência direto de Brasília e revelam que a carreira militar, depois da de medicina, devido ao viés público, é a segunda mais bem paga com salário em torno de R$ 7,6 mil. Além disso, tem vantagens como taxa de ocupação superior a 90% e a maior cobertura previdenciária atingindo 97% dos trabalhadores.

Já na parte de baixo do ranking estão profissionais ligados à atividades religiosas e à filosofia, com salários médios de R$ 2,1 mil e R$ 2,3 mil, respectivamente. Filosofia ainda aparece com a menor taxa de ocupação: 89%. O Diário teve acesso ao estudo completo. Segundo o presidente do Ipea, Marcelo Neri, o foco principal da pesquisa é orientar jovens na escolha da futura profissão, revelando quais os ganhos trabalhistas derivados das diferentes carreiras universitárias e valores pagos pelo mercado.

“Mais especificamente: quanto ganham estes profissionais, quantos conseguem trabalho, quantas horas trabalham, quantos conseguem proteção trabalhista”, explica. A pesquisa comparou a performance das profissões e reuniu dados entre os anos de 2009 e 2012, quando foram gerados oficialmente, segundo fonte do governo federal, um total de 304.317 postos de trabalho com formação de nível superior.

O levantamento mostra, por exemplo, que o segmento de analistas da tecnologia da informação foi o que mais gerou empregos no período com 49.535 vagas. Isso colocou os profissionais da área da computação na 22ª posição no ranking com salário médio de R$ 3.802,43 e atingido taxa de ocupação superior a 93%.

Leia também:  Crescimento da arrecadação faz déficit primário cair 52,7% em agosto

Para o professor de informática da Fatec de Rio Preto, Walter Pedroso, a pesquisa comprova na teoria o que o segmento vem percebendo na prática há alguns anos: o crescimento na geração de empregos e a valorização salarial tanto do nível técnico quanto do superior devido à expansão do mercado da informação. “Hoje você precisa de um computador para tudo, pois está presente em qualquer área”, afirma.

Já na ponta de baixo, a profissão que menos gerou empregos foi de arquitetos e urbanistas com 3.802 postos de trabalho. Por outro lado, eles ocupam a 11ª posição no ranking salarial com vencimento médio R$ 4,7 mil e têm ótima taxa de ocupação, que chega a empregar 94% dos profissionais com nível superior.

Segundo o Ipea, o levantamento usa como base microdados fornecidos pelo Censo 2010 demográfico do IBGE, além informações oficiais do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), do Governo Federal. Indica, quando comparado pessoas com o mesmo sexo, educação, residente no mesmo estado, mimetizando a trajetória de vida de cada um, que o pico da renda de trabalho, de uma forma geral entre as profissões, se dá aos 51 anos.

“Avalia-se aqui o impacto de diferentes cursos universitários no desempenho trabalhista observado a posteriori para pessoas com o mesmo background inicial, ou seja idade, gênero, estado e tamanho de cidade”, explica Neri. Ainda segundo ele, é fundamental saber como o mercado valora suas diferentes profissões, tanto na escolha privada de carreira como na decisão pública de conceder financiamento para fomentar o estudo do futuro profissional através de programas como o Financiamento Estudantil (Fies) ou o Universidade para Todos (Prouni), ou, ainda, na decisão de abertura de faculdades.

Leia também:  Brasil reabre mercado japonês para exportação de leite e derivados

ranking profissões

MÉDIA GERAL

O estudo do Ipea mostra ainda que salário real médio dos profissionais com nível superior tem se comportado favoravelmente ao longo dos últimos quatro anos, período que foi feita a pesquisa. Considerando os preços de dezembro de 2012 já descontada a inflação, passou de pouco mais de R$ 2 mil em janeiro de 2009 para cerca de R$ 2,4 mil, o que representa um aumento real de 16% no período.

JALECO BRANCO ‘VALE OURO’

Mas o que faz da medicina a carreira mais bem paga e promissora do país? O Diário fez esta pergunta ao médico e presidente da Unimed de Rio Preto, Emerson Gomez, e ao diretor da Faculdade de Medicina, Dulcimar Donizeti de Souza. Segundo eles, são muitos os fatores. O principal, talvez, porque se trata de uma formação profissional relativamente demorada e bastante cara.

“Em universidades públicas, as vagas são escassas e nas privadas as mensalidades são altas”, disse Gomez. “Outro fator é a responsabilidade. Ser médico é fazer um pacto com a perfeição, com a certeza e com precisão. É uma profissão que não admite erro, pois lida diretamente com a vida”, completa.

Leia também:  Produção de petróleo e gás natural cresce no país em setembro

Já o diretor da Famerp afirmou que, apesar de não conhecer a metologia da pesquisa do Ipea, a análise deve incluir profissionais em início de carreira porque têm a possibilidade de complementar a renda com plantões. “Medicina tem uma formação cara, que dura de nove a onze anos. Um investimento tanto financeiro quanto de tempo e dedicação”, diz.

Atualmente, a Unimed Rio Preto possui 1.350 médicos cooperados e a especialidade com maior número de profissionais é ginecologia, com 154. Já a Famerp tem 364 alunos da graduação e 350 na residência médica. No último vestibular teve 63 candidatos por vaga.

Chamado de Radar 27, o estudo do Ipea é uma edição especial do boletim e, além de um perfil das carreiras profissionais com nível superior, traz também informações sobre a evolução do ensino técnico em nível médio no mercado, que inclui dados desde salários até geração de postos de trabalho e outros.

Segundo o levantamento, no período analisado, foram gerados no Brasil 402.490 postos de trabalho equivalentes a jornadas em tempo integral para técnicos com formação em nível médio. A área da ciência da saúde humana lidera – entre os quais estão inseridos técnicos e auxiliares de enfermagem, técnicos em próteses ou em imobilizações ortopédicas, em odontologia, em óptica e em optometria, e tecnólogos em terapias complementares e estéticas.

Ainda segundo o estudo, a cada cem novos postos de trabalho abertos para técnicos de nível médio entre 2009 e 2012, cerca de 25 foram preenchidos por esta categoria. Em seguida, vieram os técnicos em eletroeletrônica e fotônica.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.