Foto: Marcello Casal Jr./ABr / ABR
Foto: Marcello Casal Jr./ABr / ABR

O risco de contrair alguma doença infecciosa preocupa mais de 75% da população mundial, de acordo com um estudo conduzido pelo aponta Conselho Global de Higiene (Global Hygiene Council). E não é para menos: dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que as doenças infecciosas são responsáveis pela morte de mais de 13 milhões de crianças e jovens adultos por ano. De acordo com a pesquisa, o grau de preocupação varia significativamente entre os países, sendo que a Índia apresenta o maior receio (95%), contra apenas 54% na Alemanha, local em que se registrou a menor preocupação.

A pesquisa, intitulada Desafio Global de Infecção, foi realizada com mais de 18 mil pessoas em 18 países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Malásia, Nigéria, Reino Unido, Rússia e Turquia.

O estudo revelou que a maior preocupação (30%) está relacionada à gripe sazonal, mas existe uma ampla variação entre os países. No Brasil, as doenças infecciosas que mais preocupam são as pandemias de gripe, como a H1N1, apontada por 43% dos entrevistados, enquanto a gripe sazonal é vista com receio por apenas 11% dos brasileiros.

De acordo com o presidente do Conselho Global de Higiene e professor de Virologia da St. Barts e da London School of Dentistry, John Oxford, a pesquisa evidencia que os receios variam consideravelmente entre a população mundial.

— Em alguns países, doenças respiratórias como a gripe sazonal e o resfriado comum são as maiores preocupações, enquanto em outros as doenças gastrointestinais preocupam mais. Apesar das diferenças, detectamos um reconhecimento global de que a boa higiene é uma importante maneira de se prevenir e impedir a propagação de doenças infecciosas. Simples hábitos de higiene, como a lavagem de mãos com sabão antes das refeições e após ir ao banheiro, e a desinfecção de superfícies, são essenciais para ajudar a quebrar a corrente da infecção — afirma.

O perigo pode estar em casa

No geral, 68% dos adultos pensam que o transporte público é um dos lugares mais propensos a se contrair doenças infecciosas, comparado a apenas 11% que enxergam o risco dentro da própria casa. No Brasil, o índice cai para 6%, fato que preocupa os especialistas.

— Muitos brasileiros não sabem como os germes podem ser facilmente transferidos entre as superfícies e acham que não estão correndo riscos em sua própria casa. Sabemos que os germes não apenas são transferidos facilmente como também sobrevivem em superfícies por longos períodos, o que proporciona um bom tempo para a contaminação acontecer — alerta o infectologista chefe do Departamento Pediátrico de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário da Santa Casa de São Paulo e membro local do Conselho Global de Higiene, Eitan Berezin.

Quando o assunto é prevenção, 77% dos entrevistados afirmaram que suas famílias lavam as mãos com água e sabão após ir ao banheiro e comer. Mais da metade declarou que também limpa e desinfeta superfícies domésticas regularmente, como pias do banheiro e da cozinha, por exemplo. No Brasil, 25% das mulheres e 10% dos homens carregam géis antibactericidas para as mãos quando saem de casa para ajudar na prevenção de doenças infecciosas.

Entretanto, estudos anteriores do Conselho Global de Higiene indicam que, apesar das pessoas reconhecerem a boa higiene como algo importante, nem sempre elas a praticam corretamente: 83% dos adultos dizem que possuem a intenção de lavar as mãos todas as vezes que vão ao banheiro, mas apenas 68% lavam com água e sabão.

O infectologista faz um alerta:

— Sabemos que as doenças infecciosas, incluindo as respiratórias como a influenza e as intoxicações alimentares como a Salmonella, são regularmente transmitidas dentro das casas entre membros da família, seja pelo preparo impróprio de alimentos ou via contaminação em superfícies da cozinha que não são higienizadas corretamente. Para ajudar a proteger toda a família contra potenciais infecções, é essencial lavar as mãos regularmente com sabão e desinfetar as superfícies que entram em contato com os alimentos — afirma Berezin.

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