Tunisianos participam de uma manifestação em frente ao Ministério do Interior nesta sexta-feira (26) (Foto: FETHI BELAID/ AFP)
Tunisianos participam de uma manifestação em frente ao Ministério do Interior nesta sexta-feira (26) (Foto: FETHI BELAID/ AFP)

Um homem foi morto em protestos violentos no sul da cidade tunisiana de Gafsa, dois dias após o assassinato de um importante membro da oposição secular no país, informou a agência de notícias Reuters.

Foi a primeira morte em protestos desde as manifestações irromperam após o assassinato de Mohamed Brahmi, na quinta-feira. Os relatos sobre as causas da morte são conflitantes, informa a agência.

Milhares de manifestantes pró e contra o governo se concentraram na capital nesta sexta, enquanto lojas e bancos fecharam as portas e todos os voos dentro e fora do país foram cancelados.

Em meio às manifestações rivais, o ministro do Interior, Lofti Ben Jeddou, atribuiu a morte de Mohamed Brahmi, na quinta-feira, a um radical islâmico e disse que a arma usada foi a mesma que matou outro político laico, em fevereiro.

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Opositores pediam a renúncia do governo islâmico do partido Ennahda.”Abaixo o regime da Irmandade Muçulmana”, gritavam os manifestantes, evocando o grupo inspirador do Ennahda.

As divisões entre religiosos e laicos se aprofundaram na Tunísia desde a rebelião popular que derrubou o regime autocrata de Zine al-Abidine Ben Ali, no começo da chamada Primavera Árabe, em 2011.

Na manifestação pró-governo, os participantes gritavam que “o povo quer o Ennahda de novo” e “não a um golpe contra a democracia”.

O ministro Ben Jeddou disse que a morte de Brahmi está diretamente associada ao homicídio do líder do partido Frente Popular, Chokri Belaid, que desencadeou em fevereiro a pior onda de violência na Tunísia desde a revolução de 2011.

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“A mesma arma automática 9 mm que matou Belaid também matou Brahmi”, disse ele em entrevista coletiva, apontando como principal suspeito pelo crime o militante salafista Boubacar Hakim, também procurado por suspeita de contrabandear armas da Líbia.

As autoridades identificaram 14 salafistas suspeitos de envolvimento na morte de Belaid e acredita-se que a maioria esteja ligada ao grupo radical islâmico local Ansar al-Sharia.

Brahmi, de 58 anos, era crítico da coalizão islâmica do governo e participava pela Frente Popular da Assembleia Constituinte atualmente em atividade na Tunísia. Ele foi morto a tiros na porta de casa, por dois homens que fugiram de moto, segundo testemunhas.

Em protesto pelo crime, o Partido da Iniciativa, também laico, retirou seus cinco deputados da assembleia.

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