Bastou um soco, e caiu o mito Anderson Silva. Derrota, entrega do cinturão e, nas estatísticas, a perda da liderança do ranking do UFC. Se o Spider perdeu para Chris Weidman ou para si mesmo, é uma questão em aberto. Mas será que o nocaute realmente o fez merecer perder o primeiro posto no ranking peso por peso do UFC? Afinal, nem Georges St-Pierre, nem Jon Jones lutaram. Nenhum deles moveu um dedo para tomar seu posto neste fim de semana.

Na lista da última segunda-feira, Anderson apareceu pela primeira vez fora do topo da lista peso por peso (entre todos os lutadores, sem divisão de categoria). Foi ultrapassado por Jones, o novo líder, e por GSP, vice. Mas, curiosamente, até Jon Jones admitiu que não se considera o melhor lutador da atualidade.
“Ser o número 1 do mundo porque Anderson perdeu não faz com que eu sinta que realmente mereci isso. Não muda muito para mim, não parece real. Simplesmente não parece que fiz algo para chegar lá”.

Fato é que Jon Jones vem de vitória sobre Chael Sonnen, e GSP recentemente venceu Carlos Condit, sem que seus resultados ameaçassem o reinado do Spider. Mas a derrota os elevou. Os questionamentos que ficam é: Anderson merecia perder seu post apenas pelo seu fracasso, isolado? Ou seus rivais é que deveriam tomar seu posto, de acordo com seus próximos resultados?

Primeiramente é bom explicar como funciona o ranking do UFC, que estreou em fevereiro deste ano. A novidade foi criada para que os torcedores tenham melhor noção do que acontece em cada categoria e que seja mais transparente a escolha das lutas – não que o UFC tenha qualquer obrigação de escolher este ou aquele lutador para entrar no octógono simplesmente por como ele está na lista.

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Todo o ranking é feito por jornalistas, uma lista de cerca de uma centena de profissionais de locais variados – EUA, Brasil, Europa… Todo fim de evento, o UFC libera as mudanças, com limite até segunda-feira para a atualização.

Dito isso, é claro que é muito pessoal para cada jornalista a sua lista. Não há um só raciocínio, uma recomendação, um meio de escolher seus lutadores e suas ordens no ranking. Assim, há tanto aqueles que enxergam Anderson como primeiro do ranking até que o tirem dali, ou os que enxerguem na lista algo mais subjetivo que aponte que uma derrota motive mudanças.

No caso deste que vos escreve, a opinião é simples: a derrota de Anderson, da forma como ocorreu, não é suficiente para tirá-lo do topo. Weidman o nocauteou, claro, mas o Spider não caiu por má forma, deficiência técnica ou algo do tipo. Perdeu pois o norte-americano acreditou – como qualquer rival deveria fazer – e achou aquela surpreendente esquerda. O bom e velho Anderson estava ali, mas foi pego. Além disso, o que Jones e GSP fizeram para passá-lo? Nada. Por isso o mantive em 1º no meu ranking do UFC.

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Mas abrimos o espaço para o debate: chamei dois colegas que votam no ranking para explicarem suas visões e abrirem aos leitores seus raciocínios na hora de fazerem suas escolhas.

Primeiro, Thiago Arantes, repórter e blogueiro no site ESPN.com.br. Ele não só rebaixou Anderson na lista, como o deixou em quarto lugar, atrás de Jones, GSP e José Aldo.

“O ranking pound for pound, pra mim, é uma espécie de ‘medidor de invencibilidade’ dos lutadores. Anderson perdeu uma luta de um jeito ruim pra ele, o que o faz, a meu ver, menos invencível do que, pela ordem, Jon Jones, GSP e José Aldo”.

Agora, Marcelo Russio. Ele é comentarista do canal Combate e editor do Combate.com e manteve Anderson como melhor pound for pound (P4P).

“Na minha opinião, a derrota de Anderson Silva para Chris Weidman foi determinante para que o brasileiro perdesse o posto de número um peso-por-peso do UFC no ranking oficial. Isso é o óbvio. Mas não concordo com esse raciocínio pragmático, uma vez que não existe a categoria peso-por-peso. Ela não é real e tangível. Logo, os critérios podem ser mais subjetivos que o de derrotas e vitórias. Alguns diriam que o número um não poderia ser um atleta que não tivesse um cinturão. Respeito, mas vou ser mais subjetivo ainda na minha análise. Para mim, o número um peso-por-peso tem que ser o melhor, mais espetacular e que mais fez no octógono. Ter perdido uma luta apenas, pelo pragmatismo, colocaria Anderson Silva à frente de Georges St-Pierre, que foi derrotado duas vezes no UFC, ou de Jon Jones, que perdeu uma luta também – pragmatismo conta derrota como derrota, mesmo que seja por desclassificação.

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Acho que Anderson foi punido com o terceiro lugar por ter decepcionado, frustrado quem o assistiu. Há aí um peso na mão. Ele é melhor que GSP. Mais espetacular. Mais surpreendente. Mais contundente. E se equipara a Jon Jones em tudo isso. Mas ganhou mais e encantou mais. Por isso, na minha opinião, ele ainda é o melhor P4P do mundo. Porque ainda é o que mais encanta e o que tem mais recursos para finalizar uma luta. Tire as cotoveladas de Jon Jones e as quedas de GSP. Eles perdem mais do que se você tirar qualquer golpe de Anderson. Ele é mais completo que ambos. Por isso, na subjetividade do ranking P4P, ele é, para mim, o número um. Ainda.”

Fato é que este ranking é vivo, e pode mudar a cada semana – mesmo que o lutador não entre no octógono, os jornalistas podem mover de posição como quiserem os atletas. E a lista, apesar de estar nas mãos dos jornalistas, é espelho do que ocorre na hora da ação. Jon Jones encara Alexander Gustafsson e Georges St-Pierre pega Johny Hendricks nos próximos meses. E são os resultados deles que determinarão se eles seguem ou não à frente do “maior da história” Anderson Silva.

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