A bola laranja viaja, alçada à cesta. Sua trajetória não parece certa, nem do aro ela se aproxima. Só que tudo está ensaiado. Um gigante surge por trás da marcação e faz uma linda ponte aérea. O pivô de 17 anos impressiona no amistoso da seleção brasileira sub-17 contra a equipe sub-19 do Paulistano. O garoto não apenas impõe respeito pelos seus 2,07m de altura, mas também pela habilidade com a bola. E ele não está só. Também com 17 anos, Wesley Sena é um centímetro mais alto e com um futuro igualmente promissor. As duas “torres gêmeas” da nova geração brasileira mostram força e percorrem a trilha traçada por outro gigante: Lucas Bebê, o carioca de 2,13m e 20 anos que recentemente entrou para a NBA.

– O Lucas Bebê é um incentivo para nós. É mais uma prova de que não importa a nacionalidade, só depende de você, tem de treinar e se dedicar que um dia você vai chegar lá. Pretendo chegar à NBA e jogar as Olimpíadas, são minhas metas para o futuro – disse Lucão, que defende o São José.
– Quero chegar mais longe ou pelo menos alcançá-lo. É o sonho de todo jogador entrar para a NBA. Está muito longe agora, tem muita coisa para trabalhar ainda, mas a caminhada já se iniciou – disse Wesley Sena, que está na equipe principal do Palmeiras.

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Os dois garotos têm muito em comum. Além da altura e da semelhança física, ambos deram seus primeiros passos no basquete depois de serem descobertos na educação física. Lucão jogava futsal, e Wesley se aventurava no salto em altura. Eles não levavam o esporte a sério na época, mas aceitaram os convites para testes e tomaram gosto pela bola laranja.
Joseense de nascimento, Lucão cresceu nas categorias de base do São José. O pivô teve sua primeira convocação para defender o Brasil em 2011, ainda no time sub-15. Pouco depois, já começou a treinar com o elenco profissional de seu clube. Ele inclusive esteve no banco de reservas na final do NBB-4, no ano passado, quando viu seus companheiros perderem o título nacional para o Brasília.
– No adulto, é outro patamar. Eles fazem brincadeiras, mas também sempre estão lá para me ajudar. O Jefferson e o Murilo foram os que mais me ajudaram. Algumas vezes eles observavam nossos treinos (da base), nossos jogos e nos davam toques. Eles me chamam de magrelo, porque eu sou alto e magro, então é sempre motivo de gozação da galera. Eu faço um trabalho para ganhar massa muscular. Cheguei a ganhar em um ano 11kg – contou o ainda esguio Lucão.
Wesley, por sua vez, deixou sua família em Campinas para vestir a camisa palmeirense aos 15 anos. Ele aproveitava cada oportunidade para voltar à cidade do interior paulista e matar a saudade dos familiares. Um esforço que foi recompensado em pouco tempo. O garoto quebrou um recorde que pertencia a ninguém menos que Leandrinho. Wesley bateu o ala da NBA como o jogador mais novo a entrar em quadra pelo time profissional do Palmeiras, aos 16 anos e oito meses, dois meses a menos que seu ídolo.
– É uma grande responsabilidade. Por mais que eu seja o mais novo, não quero estar em quadra para ser mais um. Tenho de treinar e me esforçar – disse Wesley.
O palmeirense disputou o Jordan Brand Classic em 2013, uma competição em Nova York com os garotos mais promissores do mundo. Ele chegou a ser convocado para a seleção sub-19, mas foi cortado antes do Mundial da categoria. Agora, tanto Wesley como seu novo companheiro de garrafão trocam o basquete profissional pela base para liderar o Brasil no Sul-Americano Sub-17, na cidade uruguaia de Salto, entre 5 e 10 de agosto. Eles estranharam um pouco o “rebaixamento”, mas agarraram a chance de mostrar seu potencial.
– Muitas vezes os adversários do sub-17 me temem por causa da minha altura, mas os jogadores que estão preparados sabem que não basta só o tamanho, tem de ter talento técnica e habilidade – disse Lucão.
– É uma premiação estar neste grupo, um orgulho. Treino para chegar aqui e mostrar meu basquete. No adulto eu sou mais um, me esforçando para me destacar. Aqui eu tenho responsabilidade, tenho de mostrar meu jogo. Tenho de dar meu máximo. A seleção sub-17 é uma vitrine. Muita gente está nos olhando – disse Wesley.

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Olhos atentos observam os garotos, olhos de pessoas que entendem muito de basquete e podem lhes abrir muitas portas. A ex-jogadora Hortência e o técnico Rubén Magnano, da seleção principal, prestigiaram o primeiro amistoso da equipe sub-17 contra o sub-19 do Paulistano. Os garotos do Brasil perderam na soma dos cinco períodos disputados (59 a 54), mas o resultado nesse início de trabalho pouco importa. A dupla de gigantes ainda passará por outras avaliações, tem muito a evoluir e um caminho longo a percorrer, mas está no rumo certo para despontar e, quem sabe, chegar à NBA.

 

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