Na linha de chegada da XVII Meia Maratona do Rio de Janeiro, disputada no último domingo, um corredor se destacava entre os outros atletas por um detalhe curioso: tinha os pés descalços. O carioca Cosme Reges, de 38 anos, havia percorrido os 21km da prova sem tênis. Há um ano, ele é adepto da prática pouco comum devido a um problema de coluna.

– Eu corro descalço há um ano, percebi que o benefício de correr assim é maior para mim. Tenho duas hérnias de disco lombares. Na primeira Corrida da Ponte que disputei, cheguei a travar por causa das dores. Elas melhoraram depois que comecei a correr descalço – explica após completar o percurso em 1h36.

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Para Cosme, estar em contato direto com o chão aumenta a sensação de relaxamento. Ele garante que só sente dores na sola dos pés quando a pista de corrida tem cascalho.

– Quando corro descalço, eu relaxo mais, sinto mais o meu corpo. No início, você sente dor nos pés. Com o passar do tempo, você vai superando. Agora eles só doem mesmo nas corridas em que há cascalho na pista.

No entanto, o carioca, adepto da corrida de rua há três anos, não começou a correr descalço imediatamente. A prática da chamada corrida natural exigiu um longo período de adaptação, que consistia em alternar os dois métodos.

– Eu corro há três anos. Durante dois anos, fiz uma transição, alternando a corrida com e sem o tênis. Desde então, as dores que eu sentia na coluna melhoraram bastante. Acho que o impacto diminui, você altera a sua pisada, então você aterrissa diferente de como você aterrissa com o tênis – avalia.

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– Com o tênis, a aterrissagem do pé no solo acontece com o calcanhar, gerando um pico de impacto brusco no corpo. Quanto maior e mais brusco for esse impacto, maiores são as chances de lesão. Correndo descalço, o pé aterrissa no solo com a parte da frente, tornando o impacto mais suave.

Os amortecedores dos tênis não são tão eficientes como os amortecedores naturais do corpo, e a presença deles, associada ao formato dos tênis, inibem esse padrão de pisada que suaviza o impacto – ensina a fisioterapeuta Raquel Castanharo.

Além do alívio em relação às dores lombares, a corrida sem tênis trouxe outro benefício para vida esportiva de Cosme. O hábito reduziu em 15 minutos seu tempo em provas de longas distâncias. Ambicioso, ele acredita ser capaz de correr ainda mais rápido.

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– Meu tempo mudou bastante. Ano passado, meu melhor tempo em uma maratona, com tênis, foi 3h32. Esse ano eu corri a Maratona de Porto Alegre descalço, em 3h17, houve uma baixa de 15 minutos. Mas o meu corpo ainda está se adaptando à longa distância, este tempo deve diminuir mais – analisa.

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