O banco britânico HSBC surpreendeu mais de 40 representações diplomáticas estrangeiras em Londres, ao informar embaixadas e consulados de que não poderá manter as suas contas, dando 60 dias para ser retirado o respectivo dinheiro depositado na instituição, avançou o jornal Mail on Sunday.

Segundo o mesmo jornal, o Vaticano, através da Nunciatura Apostólica, é uma das missões diplomáticas abrangidas, assim como outras de países da Commonwealth.

“A decisão do HSBC lançou a confusão. As embaixadas e os consulados precisam muito de um banco, não só para recolher dinheiro dos vistos e dos passaportes, mas também para pagar os salários, as facturas e mesmo a portagem para circular no centro de Londres”, declarou ao Mail on Sunday Bernard Silver, dirigente do Corpo Consular, que representa os cônsules no Reino Unido.

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Contactado pela agência AFP, o banco HSBC declarou apenas que a decisão resulta da implementação de um programa, iniciado já em 2011, que avalia “todas as empresas” e que tem em conta, entre outros factores, a rentabilidade e o desenvolvimento económico. “Os nossos serviços às embaixadas não estão isentos” da aplicação desse programa, afirmou um porta-voz do HSBC.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico assegurou estar “em contacto com o HSBC e com as missões diplomáticas envolvidas” e ter fornecido às representações que o desejaram “cartas de apresentação para lhes permitir abrir uma nova conta bancária”.

John Belavu, da embaixada da Papua Nova Guiné em Londres, mostrou-se ao Mail on Sunday surpreendido com a decisão, afirmando ser um “choque” para a missão diplomática ter sido notificada para encerrar a conta no HSBC ao fim de 22 anos. “Tentamos bater a todas as portas, mas todos os bancos no Reino Unido fecham-se como ostras”, reagiu, por seu lado, o cônsul honorário do Benim, Lawrence Landau.

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Segundo refere a AFP, algumas contas de representações diplomáticas poderão servir para ocultar operações ilegais. O HSBC anunciou em Janeiro um reforço da luta contra a corrupção, depois de ter pago, em 2012, uma multa de 1920 milhões de dólares (1454 milhões de euros) pela acusação de cumplicidade no branqueamento de capitais em benefício do terrorismo, de traficantes e do Irão.

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