Sabrina Paiuta - Foto: reprodução
Sabrina Paiuta – Foto: reprodução

Ela tem 18 anos e, como todas as meninas de sua idade, muitos sonhos. No entanto, a rotina de Sabrina Paiuta é bem diferente da de suas colegas. Piloto profissional de motovelocidade, esta paulistana – que já soma um título nacional e lidera o campeonato brasileiro de 2013 na classe 250 – concilia a vida social com treinos físicos e de pista para dar continuidade ao objetivo de competir na Europa. Só que, como apenas vontade não basta, ela recorreu a uma ideia inusitada para financiar sua participação no torneio preliminar do Mundial de Superbike: uma “vaquinha virtual”, em busca dos R$ 50 mil necessários para disputar as etapas finais da European Junior Cup, na Alemanha e na França.

– Há um piloto brasileiro, o Rafael Paschoalin, que também fez esse projeto para correr. Ele é super meu amigo, nós treinamos juntos, e ele me falou sobre a ideia. Decidimos ir para cima e a partir disso montamos o nosso projeto, com as recompensas e tudo mais, para conseguirmos a verba – diz a competidora, que nesse ano já participou de quatro etapas da EJC, em circuitos da Espanha, da Holanda, da Itália e da Inglaterra.

Leia também:  De virada inédita, Cuiabá Arsenal vence Tubarões do Cerrado

As “recompensas” às quais ela se refere são formas de retribuir as doações, que começam com cotas de R$ 20. As contribuições de menor valor levam adesivos e chaveiros, passando por camisetas, avaliações físicas, treinos de motocross, capacetes autografados e até um reboque para carregar motocicletas. Este último prêmio é destinado a quem doar R$ 4.000 ou mais.Com duração de 30 dias, a “vaquinha” terminará à 0h do dia 23 de agosto, portanto não resta muito tempo para Sabrina arrecadar os R$ 50 mil. A verba só será entregue a ela se este valor for alcançado ou ultrapassado até a data limite. Neste fim de semana, a piloto disputará mais uma etapa do campeonato brasileiro, em Cascavel, no Paraná. E não esconde que a situação mexe com seu lado emocional.

– Eu vou mais ansiosa, com certeza. Isso influencia bastante no meu psicológico. Acredito que, mais para frente, conseguirei ficar mais tranquila e pensar na minha estratégia, nos meus treinos, em vez de pensar se vou conseguir ou não a verba para correr na Europa. Hoje as pessoas ainda não me enxergam muito como um produto para divulgação, mas creio que vamos conseguir. A estrutura que tenho ainda não é a ideal, mas estamos correndo atrás para tê-la – diz, confiante.

Leia também:  União, mesmo com derrota, avança e joga de novo contra o Dom Bosco

Paixão por motos desde a infância

Dos sete aos 15 anos, Sabrina disputou corridas de motocross, onde se destacou em diversas categorias no campeonato paulista. A opção pelas provas de velocidade no asfalto veio apenas em 2012. Com as pistas de terra restritas aos treinos para apurar os reflexos, a adolescente se concentrou na motovelocidade. E logo mostrou que não estava para brincadeira, faturando o campeonato brasileiro na classe Ninja 250 Light. Foi a extensão de um desejo de infância.

– Meu irmão tinha minimotos para brincar, daí eu largava as bonecas de lado e ia brincar com ele. Isso veio de mim, o primeiro contato com uma moto foi minha escolha. Como o esporte é muito caro, meu pai não queria que eu gostasse tanto, porque não tínhamos verba e ele sabia que seria muito difícil. Mas não teve jeito, eu quis mesmo. Na primeira vez que eu subi numa moto, já estava apaixonada. Levei um tombo logo de cara, chorei muito, mas no dia seguinte queria andar de novo – conta, orgulhosa de suas conquistas.

Leia também:  União vence e assume liderança da Copa FMF

Mas tanta dedicação ao esporte de alto rendimento tem seu preço, e neste caso nem adianta fazer “vaquinha” para recuperar. Consciente de sua escolha, Sabrina trocou as festas e badalações com as amigas e o namorado pela rotina de treinos, viagens, competições, eventos com patrocinadores e muita “ralação” em busca de seus sonhos. Segundo ela, a opção tem valido a pena.

– Eu trabalho muito, viajo muito, ainda mais nesse ano que estou fazendo três campeonatos. Eu não tenho uma vida social normal. Tenho dificuldade de encontrar meus amigos, porque nos finais de semana eu estou competindo, treinando ou preciso descansar. Durante a semana, vou à academia todos os dias, para meu condicionamento físico não cair. É um trabalho duro, de segunda a segunda. Isso é a parte ruim, de não ter tempo de ter um namorado ao lado. É muito complicado. Mas a gente tem que lutar pelos sonhos, e isso não me atingiu a ponto de desistir. Família e amigos fazem falta, mas consigo administrar – frisa a competidora.

A próxima etapa da European Junior Cup será no dia 1 de setembro em Nürburgring, na Alemanha.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.