O jeito ainda é de menina, mas o talento de Gabi é de gente grande. A ponteira de 19 anos parece uma veterana em quadra, vibra e voa para virar bolas e mais bolas. Pobre da defesa japonesa. Por mais que as anfitriãs tentassem pará-la, sofreram com os ataques da brasileira nesta quinta-feira. Eleita a melhor em quadra na estreia da fase final do Grand Prix contra os Estados Unidos, a ponteira voltou a brilhar para puxar a vitória do Brasil sobre o Japão, em uma partida de 1h22m, em Sapporo. O placar de 3 sets a 0 (parciais de 25/21, 25/22 e 25/17) levou o time do técnico Zé Roberto à liderança da competição.

– Estou muito feliz. Foi uma vitória importante. Quem vê 3 a 0 pensa que foi fácil, mas foi muito difícil. O tom do jogo foi paciência. Elas defendem muito, têm muito volume de jogo. Dá até uma agonia de atacar tanto para conseguir cravar a bola. O Zé Roberto nos avisou que a partida seria disputada ponto a ponto e que precisaríamos de tranquilidade, e foi o que aconteceu – disse Gabi.

A ponteira mostrou um vasto repertório. Com bloqueios, largadinhas e muitos canhões disparados contra a forte defesa japonesa, Gabi anotou 19 pontos e foi a maior pontuadora da partida. No entanto, foi a outra ponteira brasileira que levou o título de melhor jogadora do confronto com o Japão. Fernanda Garay se destacou na defesa e ainda cresceu no set final para fechar a partida com 15 pontos. A central Thaisa também teve grande atuação, especialmente na terceira parcial, quando fez cinco pontos de bloqueio.

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Com a vitória, o Brasil chegou a seis pontos na fase final do Grand Prix e se isolou na primeira colocação. Para isso, o time de Zé Roberto contou com uma ajuda da Itália, que levou o confronto com a China para o tie-break e “roubou” um ponto das orientais, vice-colocadas, com um ponto a menos que as brasileiras. Na busca de seu nono título do Grand Prix, o Brasil volta à quadra nesta sexta-feira, às 3h30m (horário de Brasília). O confronto contra a Itália terá transmissão ao vivo da TV Globo e do SporTV.

 O JOGO

Depois de arrasar as americanas na estreia, as brasileiras entraram em quadra com moral para encarar as anfitriãs sem temer a pressão da torcida nipônica. As campeãs olímpicas, porém, sabiam que teriam um confronto mais difícil nesta quinta-feira. Medalhistas de bronze nas Olimpíadas de Londres, no ano passado, as japoneses provaram que estão em ascensão ao bater a tradicional Itália por 3 a 0 na primeira rodada.

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Nada que impedisse a jovem Gabi ter mais uma atuação de veterana. A ponteira foi a mais acionada pela levantadora Dani Lins para furar a forte defesa das adversárias. Melhor jogadora da partida contra os Estados Unidos, Gabi voava alto para virar seis bolas no primeiro set, além de fazer dois bloqueios e puxar o Brasil. A central Thaisa foi outra arma importante, com quatro pontos.

No entanto, as anfitriãs soltaram o braço e tiveram sorte também para fazer três aces, um deles com a bola triscando a rede, o que quebrou a defesa brasileira. Com sete pontos, Yukiko Ebata liderou o Japão, que chegou a abrir três pontos de frente. Tudo funcionava bem para as donas da casa, enquanto as brasileiras batiam cabeça, até que Sheilla entrou em quadra no lugar de Monique. A oposta deu novo gás ao Brasil, dividindo com Gabi a responsabilidade de virar as bolas. As duas lideraram a virada já na reta final, e Fernanda Garay fechou a parcial em 25 a 21.

Sheilla ganhou o posto de titular no segundo set, mas não conseguiu manter o Brasil no ritmo arrasador da parcial anterior. Embaladas pela jovem Haruka Miyashita, as japonesas cresceram com saques fortes e uma defesa sólida. Estava difícil para encontrar um buraco na quadra nipônica, e as brasileiras abusaram dos erros. Assim, as anfitriãs abriram 12 a 6 e obrigaram Zé Roberto a pedir um tempo para arrumar o time verde-amarelo.

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A bronca do técnico brasileiro funcionou. Dani Lins distribuiu bem as bolas, e Sheilla se encontrou novamente para liderar a virada do Brasil, que abriu 16 a 14. Só que as anfitriãs não se entregaram como no set anterior e fizeram quatro pontos seguidos para voltar à liderança. No entanto, Fernanda Garay cresceu para garantir mais uma arrancada na reta final, e Fabiana fechou o set com um bloqueio (25 a 22).

O Brasil começou o terceiro com todo gás e rapidamente abriu três pontos de vantagem. As meninas, porém, relaxaram, erraram mais vezes no início da parcial do que no restante do duelo. Parecia que as japonesas reagiriam e se manteriam vivas no confronto. Foi quando Thaisa apareceu. A central de 1,96m armou uma muralha e fez cinco bloqueios para dar tranquilidade ao time verde-amarelo. Dani Lins presenteou a central com a bola do set e ela não decepcionou, fechou a parcial e o jogo (25 a 17).

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