Após levar um susto no início, o Brasil precisou de apenas um quarto para assumir o controle do jogo, confirmar a sua superioridade e conquistar neste sábado a vaga para o Mundial da Turquia, no ano que vem. Era a última chance de carimbar o passaporte, após sofrer um apagão na semifinal contra Cuba que lhe custou a derrota, encerrando com a invencibilidade da primeira fase. Com velocidade e força no contra-ataque, o time comandado por Luiz Augusto Zanon ignorou as vaias da torcida local e os gritos de “defense!” (defesa, em inglês), vencendo Porto Rico, com tranquilidade, por 66 a 56, faturando a medalha de bronze na Copa América, em Xalapa, no México. Após zerar o cronômetro, as brasileiras se abraçaram, sambaram e espantaram a tristeza da véspera.

– Sabíamos que seria um jogo nervoso e tivemos que nos recuperar muito rápido da derrota para Cuba. Porto Rico é um time guerreiro, que lutou em busca do lugar no Mundial. Estou muito feliz com a conquista da vaga, e eu espero que o Zanon possa continuar o trabalho de renovação para 2016. O que falta no basquete feminino é continuidade – disse Adrianinha, que tem quatro Olimpíadas, incluindo o bronze em Sidney, e três Mundiais na bagagem.

A cestinha foi a porto-riquenha Sepulveda, com 21 pontos e oito rebotes, mas não suficiente para superar as sul-americanas. Com bom aproveitamento nas bolas de três, Tatiane foi um dos destaques do Brasil, com 18 pontos. Com um duplo-duplo, 15 pontos e 13 rebotes, Clarissa desequilibrou a disputa pelo terceiro lugar. Adrianinha também fez a sua parte, com 11 pontos. Na estreia, o time verde-amarelo atropelou as rivais por 91 a 54, em um dia inspirado de Clarissa, que anotou 24 pontos e pegou oito rebotes.

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Algoz do Brasil, Cuba surpreendeu o Canadá por 79 a 71, conquistando o lugar mais alto do pódio. Apesar do revés, a cestinha foi a canadense Tamara Tatham, com 25 pontos, oito rebotes e quatro assistências. Entre as vencedoras, quem mais brilhou foi Oyanaisy Gelis, que anotou 19 pontos, seis rebotes e seis assistências. A companheira Yamara Amargo foi eleita a melhor jogadora da competição.

O jogo

Assim como no início do jogo contra as cubanas, as brasileiras começaram titubeantes, com uma defesa apagada e sucessivos erros de arremesso. Cortijo recebeu passe açucarado e infiltrou para virar o jogo para as porto-riquenhas: 6 a 5. Garcia aproveitou os espaços e ampliou a vantagem para oito pontos: 13 a 5. Após três minutos sem pontuar, Clarissa pegou o rebote e acabou com a seca, diminuindo: 15 a 7. As adversárias atuavam livremente no garrafão, e a marcação das sul-americanas seguia falhando. Habilidosa e a melhor em quadra até o momento, Adrianinha acertou uma cesta de três e colocou o Brasil na frente, para alívio de Zanon, inconformado com o desempenho das brasileiras: 16 a 15. Porto Rico retomou o controle, abriu três pontos, mas Nádia encostou nos últimos segundos: 19 a 18.

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O Brasil melhorou o volume de jogo no segundo quarto, empatou em 23 a 23, e Tatiane emendou a assistência de Nádia com uma bandeja, virando o placar: 25 a 23. A equipe canarinho, finalmente, entrou no jogo e a disputa ficou acirrada. Com bom aproveitamento nos chutes de longe, Tatiane acertou duas bolas de três, ampliando: 33 a 26. A vantagem aumentou para 10 pontos (36 a 26), com uma linda infiltração de Karla, que fugiu da marcação e acertou uma bandeja, a três minutos do fim da etapa. Enfurecido com a reação verde-amarela, o técnico Omar Gonzalez esbravejava com as atletas. Após roubar a bola na defesa, Débora arrancou com velocidade e converteu mais dois: 38 a 26. Sepulveda diminuiu no fim, e o Brasil foi para o intervalo com uma vantagem de 10 pontos: 38 a 28.

Tatiane foi a cestinha do primeiro tempo, com 14 pontos e quatro rebotes. Do outro lado, Sepulveda foi a mais perigosa, com 12 pontos. As companheiras Cortijo e Garcia também incomodaram a seleção, ambas com seis. O Brasil era superior em quadra, no entanto, erros de defesa e finalização o impediram de deslanchar da partida.

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A torcida do ginásio da Universidad Veracruzana, mais uma vez, ficou contra o Brasil. Do banco de reservas, as porto-riquenhas puxavam o coro de “defense!” (defesa, em inglês), mas os gritos não surtiram efeito. Concentradas, as brasileiras voltaram a imprimir velocidade nos contra-ataques, o ponto forte da seleção, atendendo aos pedidos de Zanon. A equipe abriu 16 pontos (48 a 32), mas relaxou e voltou a cometer erros básicos de fundamento, deixando a vantagem cair para nove (50 a 41). Irreconhecível, Damiris não conseguia se encontrar em quadra e desperdiçava boas oportunidades no ataque, sem conseguir pontuar uma vez sequer. Clarissa, por sua vez, ia bem nos rebotes – foram 11 até o fim do terceiro quarto. Cortijo converteu dois lances livres e o Brasil foi para a última parcial na frente: 53 a 44.

O panorama não se alterou, e a equipe canarinho ampliou para 62 a 47 com a quinta bola de três de Tatiane. Sem encontrar resistência, o Brasil foi administrando a diferença até zerar o cronômetro, selando a vitória por 66 a 56.

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