O favoritismo é todo brasileiro. Mas a seleção feminina terá uma “máquina de fazer pontos” pela frente no segundo duelo do Sul-Americano feminino de vôlei, em Ica, no Peru, contra a Colômbia, às 19h (de Brasília). Do outro lado da quadra estará Madelaynne Montaño, 30 anos, oposto que bateu o recorde de pontos em uma única partida, com 54 bolas cravadas em 2011, quando jogava pela liga sul-coreana. Procurada por vários times da Superliga para a temporada atual, a jogadora teve que dizer “não”. Ao acertar com o Galatasaray, da Turquia, Madelaynne fechou um dos melhores contratos do mundo do vôlei feminino, recebendo cerca de € 500 mil euros por temporada, quase R$ 1,5 milhão.

– Para mim é gratificante ter chegado aonde cheguei. É o resultado do trabalho. Custou muito para chegar aqui e me sinto muito contente por ter esse reconhecimento na minha carreira esportiva. O momento em que me procuraram para a Superliga, já estava muito certa de ir para o Galatasaray, na Turquia. Mas um dos maiores sonhos que tenho como jogadora de vôlei é atuar na Superliga. Me formei como jogadora escutando falar de Virna, de Fofão. Ainda quero ir ao Brasil e jogar. Joguei o pré-mundial no Brasil e vi como são os torcedores, apreciando um grande espetáculo e sem se preocupar com os times que estão jogando – disse Madelaynne.

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Na estreia, o Brasil atropelou as juvenis do Chile por 3 sets a 0 (parciais de 25/10, 25/5 e 25/4), em pouco mais de 40 minutos, enquanto a Colômbia teve a Argentina no seu caminho, e acabou derrotada em jogo muito equilibrado, por 3 sets a 2 (19/25, 31/29, 11/25, 25/12 e 15/11). Agora, diante da seleção bicampeã olímpica e favorita, a colombiana sabe que não terá vida fácil de novo.

– Contra o Brasil buscamos a oportunidade de organizar melhor o jogo para enfrentar os outros rivais que temos chance de vencer. Vemos como um treino, para ver o caminho que estamos percorrendo para melhorar sempre nosso jogo. Esse é o objetivo.

Brasileiras sabem do potencial da rival

Apesar de favoritas, as brasileiras também se preocupam com Madelaynne Montaño. Reconhecem o potencial de ataque da rival colombiana, que será vigiada de perto pelo bloqueio verde e amarelo. Afinal de contas a “máquina de pontos” está no caminho da busca pela vaga na Copa dos Campeões, em novembro, e da vaga no Mundial de 2014, na Itália. Por isso, José Roberto Guimarães, técnico do Brasil, promete não dar mole.

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– A Colômbia tem grandes jogadoras, meninas que atuam fora de seu país e muito experientes. A Madelaynne é uma que precisamos ter cuidado, mas não apenas ela, já que todas representam perigo. Depois do jogo do Chile, quando realmente enfrentamos uma rival mais nova e inexperiente, de agora em diante temos oponentes preparados e com jogadoras profissionais – frisa Zé Roberto.

Sheilla vai pelo mesmo caminho do treinador ao analisar o segundo duelo.

– Vai ser um jogo muito mais difícil do que contra o Chile. Vamos encontrar resistência e uma jogadora de muita qualidade que é a Montaño – explica a brasileira.

Técnico da Colômbia é brasileiro

Melhor vôlei do mundo, o Brasil não exporta apenas jogadoras. Do outro lado da rede estará Mauro Morais, de 51 anos. Com passagens pelo Botafogo e pelo vôlei italiano, ele está na estrada há 27 anos e aceitou o desafio de treinar as colombianas há três, quando deixou a Itália após 20 anos e foi com a família morar na Flórida, nos Estados Unidos.

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– Estive na seleção brasileira no fim dos anos 80, com o Rizola, o Jorge de Barros, o Adison Lima. E depois de 20 anos na Itália, aceitei esse convite da Colômbia há três anos. Também fui jogador, passei pelo Botafogo, pelo Flamengo. Meu pai, por ser muito alto, achou que eu daria jogador. Apostou muito em mim (risos). Enganei enquanto pude, mas não tinha altura (risos). Então fiz educação física, e segui a carreira de treinador – contou Mauro.

Conhecedor do vôlei brasileiro, ele sabe que as chances da Colômbia são remotas no duelo, mesmo com Madelaynne ao seu lado, além de outras duas meninas que cresceram bastante e atuam no exterior: Paola Ampudia e Cindy Maria Ramirez.

– Temos a Madelaynne, que é muito importante, uma grande jogadora, uma das mais bem pagas do mundo. Mas o Brasil está em outro nível, temos que jogar com tranquilidade. No último pré-olímpico, demos um pouco de trabalho para o Brasil, e é uma honra muito grande fazer um set apertado contra a seleção brasileira. Precisamos aumentar nosso nível de vôlei e esses jogos ajudam muito para isso – completou o treinador.

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