Irmã Angélique (de preto) ensina mulheres a costurar na remota cidade de Dungu, uma das mais afetadas por deslocamento e atividades do LRA na região nordeste da República Democrática do Congo (Foto: Acnur/B. Sokol)
Irmã Angélique (de preto) ensina mulheres a costurar na remota cidade de Dungu, uma das mais afetadas por deslocamento e atividades do LRA na região nordeste da República Democrática do Congo (Foto: Acnur/B. Sokol)

Ela já ajudou mais de duas mil mulheres vítimas do grupo guerrilheiro Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês), que atua em Uganda e na República Democrática do Congo e nesta terça-feira (17), a freira congolesa Angélique Namaika foi condecorada com o prêmio Nansen, oferecido pelo Alto Comissariado da ONU para refugiados, o Acnur.

Angélique comanda, desde 2003 o Centro para Reintegração e Desenvolvimento, onde oferece treinamento e acolhimento às mulheres que sofreram abusos sexuais e agressões físicas e psicológicas. Ela foi uma refugiada por causa da guerrilha, por quatro meses, e apesar de não ter sofrido abusos, se mobilizou para ajudar. “Comecei esse trabalho pois quando era pequena vi uma freira no meu vilarejo e fiquei inspirada por ela”, disse Angélique em entrevista por telefone ao G1.

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Segundo o Acnur, desde 2008, aproximadamente 320 mil pessoas têm sido forçadas a deixar a província Orientale (da DRC). Muitas meninas quando são sequestradas são entregues aos rebeldes como ‘esposas’. Há muitos casos de agressões físicas e algumas tiveram os lábios cortados e sofreram outros tipos de mutilação.

“Essas mulheres estão traumatizadas, são vulneráveis, tanto para achar comida para a família quanto para mandar seus filhos para a escola”, contou Angélique.

O Prêmio Nansen tem o apoio dos governos da Suíça e da Noruega além da Fundação Ikea, e dá ao ganhador a quantia de US$ 100 mil.

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