Em campo, o time do Flamengo ainda busca um rumo no Campeonato Brasileiro; fora, o departamento de futebol vive uma crise interna que coloca frente a frente o vice-presidente Wallim Vasconcellos e o diretor executivo Paulo Pelaipe, que tem seu futuro indefinido e pode deixar o cargo. O desenrolar do pedido de demissão de Mano Menezes, depois da derrota por 4 a 2 para o Atlético-PR na última quinta-feira, potencializou as rusgas e trouxe à tona problemas de relacionamento. O empate por 0 a 0 contra o Náutico, na tarde do domingo em Recife, não apagou o incêndio.

Ainda no Maracanã na noite de quinta-feira, Paulo Pelaipe se viu exposto com o pedido de demissão de Mano e a ausência de outros poderes do clube no vestiário após o anúncio do ex-treinador. Coube ao diretor a missão de fazer o pronunciamento para a imprensa. Wallim e o presidente Eduardo Bandeira de Mello souberam da notícia pelos rádios de seus carros quando seguiam para suas casas (por uma questão de filosofia, os dirigentes preferem não comparecer ao vestiário após os jogos).

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Na manhã de sexta-feira, dia seguinte à demissão de Mano, Bandeira e Wallim marcaram presença no treino do time no Ninho do Urubu. Na ocasião, o vice de futebol deu a entender que estaria preocupado com Pelaipe por conta da pressão no atual momento e as cobranças da torcida direcionadas ao diretor executivo. Pelaipe chegou a colocar em questão sua viagem para Recife – onde a equipe empatou com o Naútico no domingo.

A preocupação de Wallim soou como uma “sugestão” para que Pelaipe se afastasse do cargo. O diretor, que não tem multa rescisória no contrato, respondeu dizendo que viajaria para Recife, deixando claro que não pretendia sair do clube em momento tão complicado. Mas tanto Wallim quanto Pelaipe sabem que o divórcio é uma possibilidade. Tanto que Wallim, que apoiou a permanência do diretor executivo quando este foi questionado por Flavio Godinho, pediu para conversar em separado com o técnico interino Jayme de Almeida antes do jogo contra o Náutico.

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Como o nome da função diz (diretor executivo), Pelaipe é responsável pelo futebol – mas seu poder é limitado pelas decisões e vetos da cúpula do clube que, além de Wallim, conta com o vice-presidente de marketing, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e Rodrigo Tostes, vice financeiro. Foi a cúpula que vetou, por exemplo, a contratação de Fágner – que, depois de apalavrado com o Flamengo, acabou fechando com o Vasco.

Pelaipe conta com algum apoio entre os jogadores – mas é o principal alvo dos torcedores. Um acordo do departamento de marketing do clube com algumas torcidas organizadas aumentou o desgaste. O clube se comprometeu a ceder carga de ingressos para as organizadas com 50% do valor. Pouco depois, a diretoria voltou atrás. Mesmo sem ter participado da negociação, sobrou para Pelaipe, que em um dos recentes protestos da torcida, ouviu a cobrança por ingressos.

Há 10 meses no cargo, Pelaipe tem no semblante as marcas das cobranças. Desgastado, o diretor ainda conta com forte aliado: Bap, principal responsável por sua contratação. Outra peça começa a aparecer nesse xadrez: Plínio Serpa Pinto, que substituiu Flávio Godinho na pasta de relações exteriores, e disse num primeiro momento que não teria interferência no futebol. Mas Plínio, com apoio do ex-presidente Kleber Leite, tem acompanhado de perto a crise do clube.

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Com a possibilidade de Pelaipe deixar o cargo, o nome de Felipe Ximenes, superintendente do Coritiba, voltou à tona e conta com apoio de pessoas influentes na diretoria. Pelaipe evita a todo custo qualquer crítica pública. Nas entrevistas, sempre exalta a diretoria.

Wallim e o presidente Eduardo Bandeira estiveram em Recife para acompanhar o empate com o Náutico. Na véspera do jogo, Pelaipe e Wallim conversaram de forma amistosa no saguão do hotel onde o Flamengo se hospedou. Caso Pelaipe deixe o clube, o vice de futebol pode perder o escudo que tem sido o alvo preferencial dos torcedores.

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