O feriado em comemoração ao Dia da Independência deve reunir milhares de pessoas em protestos por todo o país. Eles se organizaram principalmente por meio das redes sociais, a exemplo das manifestações que ocuparam as principais cidades brasileiras em junho e julho. Nas páginas na internet em que são articulados os movimentos, a menção é que hoje (7) vai ocorrer “a maior manifestação da história do Brasil”, com a confirmação de presença de quase 400 mil pessoas em todo o país.

Pelo Facebook, há comunidades e eventos de vários grupos – Anonymous Brasil, Isto é Brasil, Brasil Contra Corrupção, Quero o Fim da Corrupção, AnonymousBR, Plano Anonymous Brasil, Povo Brasileiro, AnonOpsBrazil, Positive Vibrations, entre outros. Foram criadas hashtags para o dia, como a #OperaçaoSeteDeSetembro e #Op7, que podem ser usadas no Twitter e no Instagram para facilitar as buscas. A maioria das manifestações começa agora de manhã.

A pauta de reivindicações se assemelha à de meses atrás. São demandas mais gerais, como o fim da corrupção, a insatisfação em relação ao governo do Partido dos Trabalhadores (PT), a reforma política e a melhoria dos serviços públicos. Há questões mais recentes, como a prisão dos condenados pela Ação penal 470, o processo do mensalão, a saída do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o voto aberto nas deliberações do Congresso.

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O temor, no feriado deste ano, é em relação a atos de violência e de vandalismo que podem ocorrer em meio às comemorações cívicas ou às manifestações. Órgãos de inteligência do governo monitoraram a internet ao longo do mês para rastrear movimentações de pessoas com o objetivo de incitar esse tipo de protesto – como a depredação de locais públicos e ataques a policiais -, como ocorreu em manifestações anteriores O objetivo é agir de forma a evitar maiores tumultos.

Medidas de segurança vêm sendo tomadas e a população foi alertada para cooperar com o policiamento nas ruas e nos locais de eventos. As pessoas estão sendo orientadas a não levar bolsas e mochilas, que deverão ser revistadas, e a não usar máscaras no rosto ou qualquer outra coisa que impeça a identificação. O manifestante que se recusar a mostrar o rosto e se identificar deverá ser levado a uma delegacia para que isso seja feito. Se necessário, a pessoa poderá ficar detida até que a identificação seja feita.

Em Brasília, é esperado um fluxo de cerca de 150 mil pessoas ao longo do dia, devido às manifestações, ao desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, e ao amistoso entre as seleções do Brasil e da Austrália, às 16h, no Estádio Nacional Mané Garrincha. Em redes sociais, as confirmações de presença chegam a 28 mil pessoas. A expectativa da secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal é de que entre 40 e 50 mil pessoas participem dos protestos – fluxo que irá se somar às 30 mil esperadas para o desfile cívico de 7 de Setembro, com a presença da presidenta Dilma Rousseff e de outras autoridades. Para o jogo de futebol, o público deverá ser de 68 mil pessoas.

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A concentração para as manifestações está marcada para a praça do Museu da República, com caravanas, inclusive de outros estados. Todos esses eventos ocorrerão em um raio de 5 quilômetros, que será monitorado por aproximadamente 6,2 mil agentes de segurança – entre policiais militares, policiais civis, bombeiros e agentes de trânsito.

Na capital, também haverá o 19º Grito dos Excluídos: Juventude que Ousa Lutar, Constrói o Projeto Popular, mobilização promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o objetivo de protestar contra a desigualdade, o desemprego, a fome, e propor meios alternativos ao modelo econômico e social atual.

Em São Paulo, o principal ato, na Avenida Paulista, tem 20 mil confirmações de presença em páginas na internet. Em outras cidades, no litoral e interior, também há manifestações previstas. No Rio, o protesto será na Cinelândia, onde são esperadas cerca de 16 mil pessoas. Na Região Sudeste, estão previstas manifestações em Belo Horizonte (com a expectativa de 13,4 mil pessoas) e Vitória (7,2 mil pessoas).

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Na Região Sul, Florianópolis (3,2 mil pessoas), Curitiba (9,7 mil pessoas) e Porto Alegre (4,8 mil pessoas) têm protestos programados. No interior dos estados, também haverá manifestações. Na Região Centro-Oeste, além do Distrito Federal, Goiânia (11,1 mil pessoas) e Cuiabá (6,4 mil pessoas) se mobilizaram por meio das redes sociais para o 7 de Setembro.

No Norte, Rio Branco (1,7 mil pessoas), Macapá (600 pessoas), Manaus (4,6 mil pessoas), Belém (400 pessoas), Porto Velho (1,3 mil pessoas) e Palmas (70 pessoas) organizaram manifestações. No Nordeste, os protestos se concentrarão principalmente nas capitais – Maceió (2,2 mil pessoas), Salvador (10,5 mil pessoas), Fortaleza (9,8 mil pessoas), São Luís (2,2 mil pessoas), João Pessoa (3,1 mil pessoas), Recife (8,5 mil pessoas), Teresina (800 pessoas), Natal (1,5 mil pessoas) e Aracaju (1,5 mil).

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