No dia 16 de agosto deste ano, o Governador Silval Barbosa assinou a Ordem de Serviço para a implantação de 20 novos leitos de UTI no Hospital Regional de Rondonópolis, inclusas as pediátricas.

Tal ato, salvo melhor juízo, simboliza a superação da falta de vontade política para a solução do problema, eis que Ordem de Serviço significa a determinação para que se realize a atividade a que está obrigado o Estado, reconhecendo-se a existência da respectiva viabilidade econômica e financeira.

Ocorre que, até a presente data, a Diretoria do Hospital Regional ainda está esperando que o Governo aprove a escolha do profissional que irá fazer o projeto da obra. Entenda-se, depois de passados quase trinta dias, sequer o projeto foi elaborado, muito menos algum grama de cimento foi usado!

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Enquanto isso, na madrugada do sábado passado (31/08), mais um ser humano morreu à espera de leito de UTI. Com meus sentimentos aos familiares e com sua licença, lembro que, dessa vez, foi Mário Luiz Varjão Cabral, que sofreu durante 10 dias, até morrer à míngua de atendimento. Olha, preciso continuar a falar disso sem embargar tanto a minha voz e embaçar, em grande medida, os meus olhos.

Vou continuar, mas permitam que eu me dê a um pequeno devaneio, assim:

Com a graça do meu bom Deus, estou fazendo um barraco para mim, na minha querida cidade que tão bem me acolheu e me tornou, oficialmente, cidadão rondonopolitano. Lá, na obra, pude aprender com os serventes de pedreiro que uma das medidas para o traço de concreto consiste em 1 saco de cimento, 5 latas de areia, 6,5 latas de pedra e 1,5 lata de água.

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Agora, uma pergunta:

Quem aí já chorou pelas crianças e idosos que morreram por falta de UTI em nossa cidade?

Não vale mentir, viu?

Como é que é?

Eles não eram seus parentes?

Ah, tá!

Como aqueles serventes me ensinaram, quero também deixar uma dica aos meus irmãos e irmãs da Região Sul do Estado de Mato Grosso para que tudo siga um tanto melhor: 1 saco de informação, 5 latas de indignação, 6,5 latas de competência e pressa, 1,5 latas de vigilância e cobrança e, o mais importante, 1 coração de carne e não de pedra, 1 atitude de amor e não de indiferença.

Se eu pudesse e meu dinheiro desse, eu movimentaria os céus e a terra para salvar cada uma das vidas que perdemos por falta de UTI. Não posso! Tudo que posso é misturar as palavras, somatizar meus sentimentos, tentando fazer com que essa lógica cruel, fria e sangrenta se precipite em erro e as pessoas, inclusive as que podem mandar, obedeçam às que têm juízo.

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Ari Madeira Costa

Promotor de Justiça

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