Os brasilienses estão nas ruas hoje (7) protestando contra a corrupção e pelo fim do voto secreto. A concentração começou cedo, na praça do Museu da República, próxima à Esplanada dos Ministério. De acordo com a Polícia Militar (PM) do Distrito Federal, pelo menos 3 mil pessoas participaram dos protestos nesta manhã em frente ao Congresso Nacional.

As manifestações na capital, convocadas por diversos movimentos por meio de redes sociais, estão programadas para todo o dia. A estimativa é reunir cerca de 50 mil pessoas. Os manifestantes avaliam que o número reduzido de participantes até o momento se deve ao feriado e acreditam que o fluxo deve aumentar.

A PM está com um forte aparato de segurança para evitar que os manifestantes carreguem objetos considerados perigosos. Desde as 7h, os policiais estão revistando as pessoas que seguiam em direção à Esplanada. De acordo com o capitão da PM, Cidjan Brito, poucos objetos foram apreendidos. “A apreensão está aquém do esperado. Retivemos alguns pedaços de madeira e chaves de fenda”, disse Brito.
Um dos movimentos responsáveis pela mobilização de manifestantes, o Brasil contra a Corrupção, distribui adesivos pedindo o fim da impunidade e também o voto aberto no Congresso Nacional. “Viemos aqui protestar pelo fim da cultura de corrupção no Brasil. Nosso movimento começou em 2011, quando reunimos pela primeira vez 60 pessoas com esse propósito. Acho que a gente veio aqui para exercer o nosso direito de cidadãos”, disse uma das organizadoras do movimento, Cláudia Cunha.

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Com a mesma intenção, um grupo chegou em frente ao Museu da República carregando uma estrutura imitando um ônibus, chamado Papuda Móvel, uma sátira à decisão da Câmara, nas últimas semanas, de absolver o deputado Natan Donadon (sem partido-RO) do processo de cassação de mandato.

“A ideia foi baseada na decisão da Câmara que, se escondendo por trás do voto secreto, manteve o mandato de um deputado julgado e condenado pelo STF [Supremo Tribunal Federal]. Todo mundo viu ele saindo algemado do Congresso direto para a penitenciária. Por isso criamos essa linha de ônibus Papuda-Congresso”, disse o coordenador de projetos da organização Instituto Fiscal de Controle (IFC), Ícaro Sims, que pede reforma política e defende o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.

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“A gente sabe que empresa não doa, faz investimento. E isso pesa no nosso bolso. Por isso defendemos que as campanhas sejam financiadas com dinheiro público. A gente sabe que isso não vai resolver o problema da corrupção, mas consideramos essencial. É um grande passso”, explicou Sims, que também estava recolhendo assinaturas para um projeto de lei chamado Eleições Limpas, pelo fim do financiamento privado, eleição parlamentar em dois turnos, entre outros

Os manifestantes também pedem a prisão dos condenados na Ação Penal 470, o processo de mensalão, e a redução do número de parlamentares no Congresso. A estudante de filosofia, Mácia Teixeira, também foi protestar contra a corrupção. Ela acredita que a corrupção não se restringe aos polítcos, mas tem a ver com os corruptores.

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“A gente está levantando a bandeira pelo fim do voto secreto e a expropriação dos bens advindos da corrupção dos corruptos e dos corruptores”, disse Mácia, que acredita que a corrupção não é só uma questão de falta de ética, mas que existe em função de um sistema que possibilita esses casos.

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