A certeza de que o Brasil voltaria da Copa América da Venezuela com uma das vagas que estão em jogo para o Mundial da Espanha era tão grande que Carlos Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), só iria embarcar para Caracas nos próximos dias. Diante da eliminação ainda na primeira fase, com quatro derrotas em quatro jogos, o dirigente admitiu que a campanha ficou bem longe dos padrões apresentados por uma seleção em competições internacionais. Acredita que as ausências de grandes referências da equipe e também o nervosismo tenham contribuído para o revés. Apesar do resultado sem precedentes, diz que o importante agora é trabalhar nos bastidores para conseguir um dos quatro convites que serão distribuídos pela Federação Internacional de Basquete (Fiba) e dar continuidade ao planejamento, que tem como objetivo principal uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Nunes considera as críticas normais, porém ressalta a importância de manter a tranquilidade para dar prosseguimento ao trabalho. E não abre mão de Rubén Magnano à frente dele.

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– Eu avalio a campanha como fraca. Foge aos padrões da seleção. Sempre tivemos uma participação de ponta, mas entendemos que, com a ausência dos considerados titulares não pudemos fazer uma campanha boa. Não esperávamos por esse resultado, mas temos que nos preparar para as Olimpíadas e para o Mundial da Espanha, porque acredito que seremos convidados. O Patrick Baumann (secretário geral da Fiba) está vindo aqui para uma reunião no dia 12 e vamos abordar o assunto e nos interar mais para ver as condições para receber esse convite. Já temos alguns contatos nesse sentido. Nada vai interromper nosso planejamento até 2016. Temos ainda muito trabalho. E não podemos prescindir de um profissional diferenciado como o Rubén, que está completamente integrado aos nosso planos – disse.

Nunes não aponta culpados. Também não concorda que a responsabilidade recaia sobre os ombros de Magnano e dos jogadores que não puderam atender à convocação. Anderson Varejão e Leandrinho pediram dispensa por estarem se recuperando de cirurgias. Nenê tinha problemas no joelho e no pé. Tiago Splitter estava em renovação de contrato com o San Antonio Spurs e precisava de férias depois de temporadas seguidas defendendo a seleção. Lucas Bebê e Vitor Faverani alegaram negociações contratuais com suas equipes na liga profissional americana. Além deles, a seleção também perdeu Augusto Lima, Paulão Prestes e Marquinhos, lesionados.

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– Quando se ganha é o grupo, quando se perde também é o grupo. Não concordo que o Rubén assuma a culpa. Todos nós temos uma parcela: departamento técnico, os atletas. Perdemos, perdemos. Vamos dar continuidade ao planejamento. O objetivo maior é 2016. Os meninos da NBA não vieram por motivos variados e explicados, a maioria com problemas de saúde. Somos um grupo e ponto. Talvez pudéssemos, não sei adiantaria, ser mais incisivos com a NBA com relação a alguns irem. Mas isso é muito difícil. Não sabemos, por exemplo, se vamos poder contar com a Érika na Copa América feminina porque a WNBA faz jogos em cima dessas competições internacionais.

O dirigente garante que não faltou nada durante a preparação. De acordo com ele, o grupo teve o mesmo tratamento do que foi aos Jogos de Londres. Aposta sim que o nervosismo pela responsabilidade da classificação possa ter acontecido. Admite que a seleção ainda tem uma dependência dos jogadores que atuam na NBA.

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– A gente fica dependente dos bons valores. Agora para o Mundial, conseguindo o convite e se Rubén convocar, eles vão se apresentar. Estamos trabalho para não ficarmos nessa dependência porque é difícil. Temos que trabalhar a base, como estamos trabalhando. Cristiano Felício saiu de lá e tem potencial.

Nunes não acreditaque a campanha da Venezuela seja capaz de afastar da modalidade o interesse de patrocinadores.

– Temos condições, potencial para reverter isso. Até porque nossos patrocínios vão até 2016. Ninguém vai abandonar agora por causa de um resultado adverso. Temos que fazer uma equipe forte. A nossa próxima competição é o Mundial e vamos também nos candidatar à sede do Pré-Olímpico. Se conseguirmos trazer os titulares, vamos com uma bela equipe. Esse resultado foi um caso fortuito. Não vai acontecer mais. Foi atípico.

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