Quando o técnico Oswaldo de Oliveira confirmou a escalação de Hyuri contra o Coritiba, admitiu que a necessidade havia precipitado a estreia do jovem com a camisa do Botafogo. Revelado pelo Audax, o jogador de 21 anos sequer havia completado um mês no novo clube. No entanto, foi num momento complicado que a solução mais inesperada apareceu. Com a saída de Vitinho para o CSKA Moscou e a convocação de Lodeiro para o Uruguai, Hyuri recebeu a oportunidade por ter características no perfil dos meias escalados por Oswaldo. Com a camisa 17, envergada recentemente por Herrera e Andrezinho, o jovem mostrou como conquistar a torcida na estreia.

Pouco conhecido, Hyuri entrou em campo jogando aberto pelo lado direito. As primeiras jogadas foram tímidas, mas o desarme dentro da área de defesa em um contra-ataque do Coritiba o fez despertar. A torcida o aplaudiu e a partir dali o jogo passou a ter o seu nome.

No primeiro gol, ele não teve participação, mas acompanhou de perto a conclusão de Rafael Marques. No entanto, aos 39 minutos, Hyuri aproveitou cruzamento do mesmo Rafael para fazer de cabeça, com estilo, seu primeiro gol com a camisa do Botafogo.

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Da arquibancada, veio a resposta da torcida, ainda ressabiada desde a saída de Vitinho. O grito “Olê, lê, olá, lá, Hyuri vem aí, e o bicho vai pegar” já pegou.

No intervalo, o mesmo procedimento que vinha sendo adotado com Vitinho foi repetido. O jovem saiu de campo para o vestiário sem dar entrevistas. E explicou a razão do silêncio no intervalo.

– Desculpe por não falar no intervalo. Não queria tirar o foco da minha estreia, estava muito concentrado na partida – disse o jogador, no fim da partida.

O melhor ainda estava por vir na volta do intervalo. Bastaram quatro minutos no segundo tempo para Hyuri mostrar muito mais aos torcedores. Ele recebeu uma bola pelo lado direito, driblou quatro marcadores, o último deles com um belo giro, e chutou com calma no canto direito de Vanderlei. A torcida delirou, e o jovem não resistiu. Subiu a escada e caiu nos braços do povo. Ao descer a escada e voltar ao campo, recebeu um abraço apertado de Seedorf. Do árbitro Fabrício Correa, do Rio Grande do Sul, não ouviu os parabéns: apenas viu em sua mão o cartão amarelo. Nada que atrapalhasse a sua festa.

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O gol do Coritiba, marcado por Alex em cobrança de pênalti, que causou a expulsão do goleiro Renan, serviu para colocar uma pitada de drama no filme com final feliz estrelado por Hyuri. Mesmo dando sinais de cansaço e com a impressão de sentir cãibra na perna esquerda, ainda estava ali para dar carrinhos. Um deles tirou a bola de Vanderlei, e ele, por pouco, não fez mais um.

Aos 34 minutos do segundo tempo, Hyuri teve seu momento de glória. Extenuado, saiu de campo para a entrada de Octávio sob aplausos da torcida, do banco de reservas e dos seus companheiros de clube. Oswaldo demonstrava seu orgulho no sorriso, e o menino, depois do apito final, parecia não querer ir embora do Maracanã, trocando agradecimentos com os torcedores.

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No dia 26 de setembro, Hyuri completa 22 anos de idade. Com contrato por empréstimo até 31 de maio do ano que vem, espera até lá ter ainda mais motivos para festejar.

– Comecei com o pé direito e com a cabeça também (risos). Fico feliz que tenha acontecido tudo assim nessa noite, mas continuo trabalhando para não deixar tudo ir por água abaixo – lembrou o novo xodó da torcida alvinegra.

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