Cada movimento de Arthur Zanetti é cuidadosamente gravado pelos rivais. Até mesmo os chineses, antes soberanos nas argolas, tentam copiar o brasileiro. Depois do ouro olímpico em Londres, no ano passado, o ginasta se firmou como referência em sua prova. Ele agora chega ao Mundial como o atleta a ser batido na Antuérpia, na Bélgica, entre 30 de setembro e 6 de outubro. Um peso que ele carrega com tranquilidade, afinal está ainda mais forte.

– Eu encaro esse Mundial como faço com etapas de Copa do Mundo. Não vou me colocar mais pressão nem menos. A prova de argolas é boa porque a chance de não conseguir completar a série é pequena. Só se faltar força na hora, o que não vai acontecer, porque o que estamos treinando de força aqui não está escrito. Força vai ter sim. É muito difícil chegar ao topo e, ainda mais, ficar no topo. Estamos trabalhando muito duro. O segredo é fazer tudo direito: cuidar do treinamento, da nutrição, da parte médica e da mente – disse Zanetti.

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O ginasta aumentou a carga na musculação depois dos Jogos de Londres e ainda acrescentou um elemento que exige muita força específica em sua rotina de treinos. O difícil movimento foi apresentado por Arthur pela primeira vez na etapa da Copa do Mundo de Anadia, em Portugal, em junho, e pode ser batizado com o sobrenome do campeão olímpico.

O técnico Marcos Goto ainda não tem certeza se o elemento será uma das armas de Zanetti na tentativa de conquistar seu primeiro título mundial – ele foi prata na edição de 2011, no Japão, atrás do chinês Yibing Chen. Como ainda não entrou para o código de pontuação da modalidade, o movimento precisará passar por uma nova avaliação na Bélgica e, dependendo do julgamento, pode sair na série da decisão.

– Fizemos o movimento para ser pelo menos F (o valor mais alto das argolas), porque tenho um elemento mais fácil que é F também. Em Portugal, deram E no momento, fizemos porque tínhamos de mostrar. Se for E de novo, a chance de sair da série é grande. Eu farei minha série antiga, que tem a mesma nota de partida e me cansa menos.

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Arthur ser acostumou aos títulos. Depois de Londres, subiu ao topo do pódio em Stuttgart, Tóquio, Doha, Anadia e Kazan. Apenas na etapa da Copa do Mundo de Ostrava, na República Tcheca, em novembro do ano passado, ele foi prata, atrás do grego Eleftherios Petrounias. O trabalho psicológico foi forte para lidar com o favoritismo, afinal, Zanetti agora é o ginasta mais visado em sua prova. Antigo Rei das Argolas, o chinês Yibing Chen não participou de competições internacionais depois das Olimpíadas e também não estará no caminho do brasileiro na Bélgica.

Arthur, porém, não relaxa, sabe que tem outros grandes adversários.

– Não alivia muito a ausência do Yibing Chen, porque haverá outros adversários, inclusive ginastas que já ganharam de mim. A preocupação é a mesma.

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Dentre os rivais, o grego Petrounias é o mais perigoso, com uma nota de partida maior do que a de Zanetti. Chineses e franceses também estão no páreo, assim como o americano Brandon Wynn, que bateu Arthur durante o Pan-Americano de Guadalajara, em 2011.

Para ter uma melhor preparação, ele optou por não se juntar ao resto da delegação brasileiro em um camping na Alemanha. Como o Mundial da Antuérpia não tem disputa por equipes, não é necessário criar um clima de grupo. Ele viajará para a Bélgica nesta segunda-feira para os últimos treinos antes da competição. Mesmo com todos os holofotes sob si, o campeão olímpico confia em mais uma exibição histórica para se manter no topo do pódio.

 

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