O atleta brasileira Vanda Gomes ficou fora do programa Bolsa Pódio, do Governo Federal, que contempla competidores ranqueados entre os 20 melhores do mundo em diversas modalidades. Vanda não foi indicada pela CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e foi a única da equipe feminina de revezamento a não contar com o programa, tudo por causa de uma espécie de brecha encontrada pela confederação que permitiu que seu nome ficasse fora da lista.

Ana Cláudia Silva, Evelyn dos Santos, Franciela Krasucki e até Rosângela Santos, que não participou da final do último Mundial no revezamento 4 x 100 m, foram contempladas. Vanda se envolveu em uma polêmica na competição ao deixar cair o bastão da equipe brasileira na última passagem da prova.

Vanda, logo após o fracasso no Mundial, disse que ficou “40 dias comendo e dormindo mal” na Europa. As acusações fizeram com que a CBAt, na época, divulgasse nota oficial negando as acusações. O presidente da confederação, José Antônio Martins Fernandes, disse que a atleta ficou sem a bolsa porque não disputou a semifinal do revezamento. Rosângela Santos participou das classificatórias e Vanda entrou apenas na final, na qual o Brasil acabou desclassificado por causa da queda do bastão.

“A Vanda foi punida no último Mundial e a Procuradoria da confederação resolveu levar isso ao STJ. Mas isso nada tem a ver com o Bolsa Pódio. Ela não está contemplada porque não teve resultado, porque o Brasil acabou desclassificado. Está considerado o resultado da semifinal, que ela não participou, e as quatro atletas ganham a bolsa. São dois casos distintos, sem relação”, defendeu o presidente da CBAt.

Franciela e Ana Claudia estiveram no evento que divulgou os contemplados do atletismo para receber o Bolsa Pódio. Elas evitaram criticar Vanda, que derrubou o bastão no Mundial deste ano.

“Eu não estava preocupada, sabia que iria conseguir pelos 100 m. Nós ficamos tristes pela medalha que perdemos, mas não dá para ficar lamentando uma coisa que já aconteceu. Vamos continuar treinando para conseguir a medalha em 2016”, disse Ana Claudia. “É ruim, mas é um critério que a gente já sabia. Nós tínhamos conhecimento de que só se estivéssemos na pista receberia o incentivo, e que na reserva, ou num caso como esse, não receberíamos”, completou Franciela.

Bolsa Pódio dá recursos para 19 atletas

A Bolsa Pódio faz parte do Plano Brasil Medalhas, que prevê o investimento de R$ 1 bilhão em 21 modalidades até 2016. O objetivo é colocar o Brasil entre os melhores no quadro de medalhas. “Temos condições de nos consolidar como uma potência média nos esportes olímpicos. Chegar no nível do futebol é difícil, mas podemos ser uma potência média já no Rio”, afirmou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que quer o país no top 10 do quadro de medalhas.

Para ter direito à Bolsa Pódio, o atleta, entre outros critérios, precisa estar entre os 20 primeiros do ranking mundial de sua prova, ter progredido no ranking nos três últimos anos e apresentar plano esportivo que demonstre as metas para o ciclo olímpico nas principais competições internacionais, as comissões técnica e multidisciplinar que vão acompanhá-lo, os recursos materiais necessários, os procedimentos científicos que deseja fazer e a estimativa de custos de cada ação prevista.

Preenchendo os requisitos, ele é pré-selecionado por sua confederação, pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ou pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), pelo Ministério e pela empresa pública patrocinadora. No caso do atletismo, a empresa estatal patrocinadora é a Caixa. Aprovado nesta fase, o atleta torna-se apto ao Programa Bolsa Atleta na categoria Bolsa Pódio, cujo valor varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil.

No caso do atletismo 19 atletas foram contemplados com o Bolsa Atleta Pódio, todos eles por estarem entre os 20 melhores no ranking mundial. Ana Claudia Lemos, Evelyn Carolina, Franciela Krasucki, Rosangela Cristina, Keila Costa, Mauro Vinícius, Thiago Braz, Fabiana Murer, Carlos Chinin, Augusto Dutra, Hugo Balduino, Pedro Luiz Oliveira, Wagner Cardoso, Fabio da Silva, Anderson Henriques, Mahau Suguimati, Bruno Lins, Jucilene de Lima e Ronald Julião compõe a lista, de um total de 121 contando todas as modalidades contempladas. Aso 27 do judô, 15 do vôlei de praia, 1 do pentatlo e 59 paraolímpicos.

A Bolsa Pódio dá um valor que varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil para os atletas. Não apenas eles, mas treinadores também são contemplados, de modo ao investimento se estender à equipe multidisciplinar: fisioterapeutas, nutricionistas, massagistas e outros profissionais. Viagens, alimentação, equipamentos e outros fatores também fazem parte do alvo deste dinheiro.

“Nós do salto com vara, por exemplo, precisamos de equipamentos de ginástica artística para os treinos. Mas não é só em relação aos atletas. Poderemos investir em estrutura, na equipe, em viagens, compra de varas… São muitos fatores que dão tranquilidade para treinarmos melhor e seguirmos brigando por medalhas”, afirmou Fabiana Murer, campeã mundial em 2011 e quinta colocada neste ano.

Os nomes serão reavaliados ano a ano, de acordo com a lista de 20 melhores do mundo de cada modalidade. Atletas como Maurren Maggi, campeã olímpica, podem entrar em novas listas. Ela ficou fora de boa parte do ano por lesão.

 

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