Em duas semanas, Santiago Ponzinibbio faz sua primeira luta no UFC, após conquistar o público brasileiro como parte da segunda temporada do The Ultimate Fighter Brasil – Em Busca de Campeões. Quando entrar na Goiânia Arena no dia 9 de novembro para enfrentar o americano Ryan LaFlare, o atleta da Team Nogueira terá uma recepção bem diferente da que teve quando chegou ao país, há sete anos. Na época, Ponzinibbio era um jovem argentino com cabelo rastafari e passou maus bocados.

Na casa do TUF Brasil, Ponzinibbio entrou como um imigrante já estabilizado no país e com um corte que está na moda, o moicano. Todavia, tinha o apelido de “El Rasta”, que já vem de quando o lutador morava na Argentina. Fã de reggae, Ponzinibbio cultivou os dreadlocks a partir dos 13 anos – “coisa de adolescente”, como ele mesmo disse. Por conta do penteado, recebeu a alcunha em suas primeiras lutas. Quando chegou a Florianópolis, em 2006, ainda tinha o visual rastafari. Como muitos imigrantes, se manteve trabalhando na rua, seja vendendo artesanato, seja fazendo massagem numa barraca na praia.

– Foi difícil o início, foi complicado, porque vim aqui passar 15 dias de férias, tinha três camisetas e duas bermudas, e fiquei morando aqui, não voltei mais. Fiquei morando na barraca quatro meses, trabalhando na rua, fazia massagem, vendia sanduíche que eu fazia, vendia cerveja no carnaval, vendia artesanato, ia ganhando meu trocadinho. Depois trabalhei de barman, de garçom, de lavador de copos, ajudante de cozinha – conta Ponzinibbio.

Quando decidiu treinar MMA, conseguiu vaga de graça na academia de Thiago Tavares, mas, como ele mesmo diz, era “pau no argentino” todos os dias. Mas ele entende.

– Um rasta, sujo, fedido, sem um p*** no bolso, querendo treinar aqui? Vão é enfiar a porrada! E estavam certos mesmo (risos). Era porrada no argentino rastafari. Ia treinando, mas eu era muito ruim, apanhava muito nos treinos. Não conhecia ninguém na academia, cheguei e disse, “Oi, quero treinar e não tenho dinheiro, sou argentino!” Disseram tudo bem, mas era pau no argentino todos os dias. Apanhei, apanhei, apanhei, mas todo dia voltava. Os caras viram que eu queria aprender, e essas pessoas que me bateram tanto viraram minha família, meus amigos – lembra.

Com o tempo, Ponzinibbio foi sendo aceito pelos companheiros de equipe. Já os dreadlocks foram caindo. Durante os treinos, as tranças iam ficando pelo tatame, até o momento em que Ponzinibbio decidiu cortar e optou pelo moicano. O apelido, todavia, ficou.

– Acho que, na Argentina, os lutadores usam muito os apelidos, você sempre chama pelo apelido. Lá, quando lutava, todos me conheceram como Rasta, então ficou – explica.

O gosto pelo reggae permanece, mas Ponzinibbio se define como um fã eclético, que ouve música clássica, blues, heavy metal e até cumbia, ritmo mais popular em seu país. Quando entrar na Goiânia Arena, porém, o som que tocará nos alto-falantes será um hard rock em espanhol.
– Vai ser um som de La Renga, uma banda de rock ‘n’ roll que gosto muito e tenho usado sempre, eles me dão muita força. É muito bom, lá tem altas bandas, e as músicas deles me dão uma força incrível – afirma Ponzinibbio.

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