Por toda a extensão da área técnica – e às vezes também saindo um pouco dela -, Adilson Batista não parou um segundo sequer nos seus primeiros 90 minutos como treinador do Vasco. A vitória sobre o Coritiba, por 2 a 1 (gols de Edmilson para os vascaínos, Luccas Claro para os paranaenses), no estádio Moacyrzão, teve um treinador incansável na beira do campo. Como na época que liderava defesas e era capitão do time, Adilson deu instruções, berrou muito, fez gestos acintosos, aplausos e mostrou movimentação que chamou a atenção de todos em Macaé. Enérgico, como definiram os jogadores, ele também mostrou seu estilo na primeira chance de mudar o esquema do time, mesmo sem treinar: no intervalo, o treinador substituiu Francismar por Renato Silva e e fez o Vasco jogar com três zagueiros pela primeira vez neste Brasileiro.

Em alguns momentos, Adilson parecia que dava uma nova preleção à beira do campo. No banco de reservas, os jogadores e o restante da comissão técnica o observavam e ouviam o que o quarto técnico do ano vascaíno tinha a dizer.

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– O banco daqui (Moacyrzão) é como se fosse de São Januário, muito distante para a gente que é participativo, que gosta de jogar junto. Faço isso nos treinamentos, eles escutam muito a nossa voz, já estão acostumando também. É o jeito que eu trabaho, acho que é importante, mas é claro que a a gente se desgasta junto – explicou o treinador.

O entrosamento com Jorge Luis, seu auxiliar direto, também parece em curso. Os dois ex-zagueiros conversaram muito, principalmente no primeiro tempo, com Jorge Luis fazendo anotações para discussão com o treinador do Vasco.

Com as mãos na boca no início da partida, mostrando o nervosismo e ansiedade para o desenrolar do jogo, Adilson não parou de falar um instante sequer. Chamou Francismar aos berros, orientou Marlone com as mãos, a distância, e conversou com Wendel no meio da euforia de toda a comemoração do gol de Edmilson. Comedido, Adilson pouco vibrou no momento do desafogo, que foi o gol que abriu o placar no Moacyrzão.

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O treinador voltou do intervalo com os cabelos molhados e mais precavido. Adilson, que costuma fazer muitas alterações táticas nos seus times, experimentou uma formação inédita neste Brasileiro, ao tirar Francismar do time e colocar um terceiro zagueiro, Renato Silva. Com Cris pela esquerda, Jomar centralizado e Renato na direita, o Vasco atacou menos e não deixou de sofrer sustos, como na bola que Alessandro defendeu um chute à queima roupa de Vitor Junior, no início do segundo tempo. O segundo gol, marcado por Edmilson, parecia que ia dar tranquilidade ao Vasco, mas não para o técnico, que continuou falando muito.

O gol de Luccas Claro calou o estádio Moacyrzão e foi a senha para o Adilson mais vibrante retornar. Vendo Alessandro abatido, o técnico o chamou a atenção e pediu calma para o fim da partida. Mas o próprio Adilson mal se contia. A principal reclamação era da saída de bola do goleiro no tiro de meta e também pedidos para que ele gritasse mais com a defesa. No finalzinho, em disputa de bola na lateral, a menos de dois metros de onde estava na área técnica, ele só faltou entrar em campo para ajudar Wendel na marcação do ataque do Coritiba. De punhos cerrados e com o primeiro passo dado, Adilson vibrou discretamente.

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– Já tive outras situações que acabei chutando placa, não sei se vocês lembram, é estressante, desgastante, a gente vivencia, respira, mas eu gosto, estava sentindo falta disso. Sei o que representa estar no Vasco, a tradição do clube, torcida que tem, a responsabilidade é grande, mas estou preparado – explicou o treinador.

O Vasco volta a campo no próximo domingo, dia 10. O rival será o Santos, no Maracanã.

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