Atualmente, vários tipos de métodos são utilizados para prevenção da gravidez. Entre eles, estão aqueles que utilizam hormônios capazes de inibir a ovulação. Os contraceptivos que agem por meio de hormônios podem ser utilizados de diversas maneiras: via oral (pílulas anticoncepcionais), injeção intramuscular, adesivo sobre a pele, implante subcutâneo, implante intrauterino e os anéis vaginais.

As pílulas anticoncepcionais são muito utilizadas no Brasil e apresentam efetividade muito alta, isto é, quando usados correta e consistentemente, o percentual de falha é de aproximadamente 0,1% durante o primeiro ano. Por outro lado, quando considerada sua utilização habitual (incluindo as pessoas que tomam correta e incorretamente) o percentual de falha atinge valores de 6 a 8%.

Os ovários das mulheres produzem, principalmente, dois hormônios femininos que são o estradiol e a progesterona. Os contraceptivos orais são, usualmente, compostos por formas sintéticas desses hormônios femininos naturais. Ou seja, eles podem conter apenas a progesterona ou a associação de estrogênio + progesterona, que são denominadas pílulas anticoncepcionais combinadas (PAC). A primeira geração produzida na década de 1960 continha altas doses desses dois hormônios que, ao longo do tempo, foram significativamente reduzidas. Nos dias de hoje, os PAC comercializados têm baixas quantidades de hormônios, contribuindo para diminuir seus efeitos adversos.

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Um aspecto importante que, entretanto, é pouco divulgado, é que a pílula anticoncepcional combinada (que contêm estrogênio) é capaz de provocar alteração na dosagem de alguns hormônios no sangue que, se não interpretada de forma correta, pode induzir a erros no diagnóstico de doenças endócrinas. Já as pílulas que possuem na fórmula apenas a progesterona (minipílulas), habitualmente, não promovem tais interferências nos hormônios.
Um dos hormônios que pode sofrer essa influência é a tiroxina (T4), produzida pela tireoide. Neste caso, as PAC podem elevar os níveis do T4 total no sangue e dar a falsa impressão de que a mulher tem hipertireoidismo, isto é, excesso de hormônio tireóideo. O aumento do T4 total pode causar confusão, mas pode ser diferenciado de uma real disfunção da tireoide porque, além do fato da mulher estar tomando uma PAC, ela não tem sintomas e sinais de hipertireoidismo. Além disso, os níveis dos outros hormônios da tireoide, como o T3, a fração livre do T4 e a dosagem do TSH (hormônio estimulador da tireoide produzido pela hipófise) permanecem em níveis normais.

Outra dúvida pode surgir nas mulheres com doença tireóidea prévia, como no caso do hipotireoidismo (falta de hormônios da tireoide). Se ela está fazendo reposição com hormônio tireóideo (levotiroxina) e inicia uma PAC, poderá haver problemas se apenas o T4 total for dosado, pois ele poderá estar aumentado indicando que a dose de tiroxina prescrita é alta, o que não é verdadeiro. Neste caso, para realizar a avaliação do tratamento é preferível utilizar o T4 livre, que não sofre interferência das PAC, no lugar do T4 total para não correr o risco de tomar uma decisão incorreta.

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Outro hormônio afetado pelos anticoncepcionais é o cortisol, popularmente conhecido pelo nome de hormônio do estresse. Produzido pelas glândulas suprarrenais, ele também pode se mostrar aumentado na vigência das PAC. É comum, nesses casos, deduzir de forma precipitada que a mulher está passando por um momento de estresse ou tem alguma doença das glândulas suprarrenais. Como o aumento de cortisol pode levar a ganho de peso, algumas mulheres podem ter receio de continuar o uso das PAC. É importante mencionar que se trata de um falso alarme, pois assim como ocorre para o hormônio da tireoide, o T4 total, somente o cortisol total está elevado, enquanto a fração livre desse hormônio (responsável por seus efeitos) conserva-se inalterada.
A prolactina é um hormônio produzido pela glândula hipófise que desempenha várias funções. Uma das principais é estimular a produção de proteínas (caseína e a lactalbumina) do leite materno. Seus níveis no sangue estão aumentados durante a gravidez e no período pós-parto. O aumento da prolactina no sangue (hiperprolactinemia) fora da gestação e do período pós-parto pode ter várias causas, incluindo o uso das PAC e vários outros medicamentos. A hiperprolactinemia pode, também, ser decorrente do aumento de sua produção por um prolactinoma, um tipo de tumor benigno da glândula hipófise. Assim, a hiperprolactinemia causada pelo uso das PAC pode sugerir, de forma enganosa, a presença de um prolactinoma. Neste caso, geralmente, os níveis de prolactina são mais altos e não normalizam após a interrupção da pílula.

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Dessa forma, além de interferir na dosagem de alguns hormônios, as PAC podem afetar ainda a mensuração de outras substâncias no sangue e, assim sendo, embora o seu uso criterioso seja seguro, as mulheres nunca devem omiti-lo do médico para evitar interpretações equivocadas dos níveis hormonais.

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