Bruno Senna conhece bem os caminhos de Grove. No ano passado, durante toda a temporada, circulou por lá na esperança de fincar raízes na sede da Williams. Não foi bem assim. Mas, após deixar a Fórmula 1 e conquistar bons resultados em provas de Endurance, ele vê um outro brasileiro a caminho da equipe inglesa. Com a saída da Ferrari, o rumo de Felipe Massa parece apontar para o antigo lar de Bruno. O antigo piloto da casa, porém, não sabe dizer se a escolha do amigo é a mais certeira.

– É impossível saber. No ano que vem, que é um ano de mudanças grandes no regulamento e no motor, vai ser uma loteria. Eu tive a chance de andar na Williams boa no ano passado. Mas ela ficou ruim esse ano. Não dá para saber como vão estar. De repente, vão estar bem. Seria o ideal para o Felipe. Mas é a loteria que todo mundo vai pagar para ver.

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Bruno admite que o momento brasileiro na Fórmula 1 não é dos mais favoráveis. Para ele, o país sofre com a falta de campeonatos de base para a formação de jovens pilotos.

– É uma simples e pura reflexão da base do automobilismo brasileiro. Para o piloto brasileiro sair daqui e correr fora é muito caro. O piloto não pode se formar, ver o potencial dele aqui dentro porque as categorias não são suficientemente fortes. O piloto sai sem saber se vai dar certo ou não. E o suporte das empresas não é assim tão forte. O esporte é negligenciado e um de elite como a F-1 é mais ainda, sem dúvidas. Temos de fazer um trabalho para ter uma safra de pilotos como a do passado, que era, por vários motivos, melhor. E vamos ter de dar sorte de os pilotos que estão lá fora consigam estar na Fórmula 1.

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Outra questão atrapalha. Para Bruno, o fato de o dinheiro atualmente pesar mais que o talento aos olhos da equipe limita a possibilidade de jovens ingressarem na Fórmula 1.

– Infelizmente, essa questão (pilotos pagantes) coloca a Fórmula 1 numa situação difícil de explorar talentos. Antigamente, eram muito mais pilotos, testavam mais e quem fosse melhor tinha a chance. Hoje em dia é mais importante ter o dinheiro. Enquanto não houver ruma reforma de custos, não vai mudar.

Mas, fora da Fórmula 1, Bruno Senna abre os olhos para outras possibilidades. Ainda sem ter certeza do que fará na próxima temporada, o piloto abre caminho até mesmo para uma estreia em um campeonato da casa, como a Stock Car.

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– Estou olhando as oportunidades que estavam fora no passado e passaram a aparecer. Tem a Stock, a Indy, outras coisas como outras categorias de GT pela Europa, Estados Unidos e Ásia. Tenho uma fartura um pouco maior de chances pela frente. Vai depender muito das variáveis, onde vou poder ficar mais tempo. Hoje, infelizmente, nunca tive um final de ano tranquilo, sempre pulando de equipes. No ano que vem, se Deus quiser, não quero nem pensar nisso.

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