O jejum é praticado na França cada cada vez mais para se sentir melhor fisicamente, desintoxicar o organismo e emagrecer, mas os médicos dizem que a moda é uma aberração, além de ser perigosa. A proximidade das festas de fim de ano faz com que algumas pessoas busquem métodos radicais no último momento para evitar os quilinhos a mais.

Na Europa, a prática do jejum se transformou em um dos temas mais populares nos fóruns da internet. “Assim como em todos os anos, vou me curar com um jejum de 15 dias”, relata com orgulho uma internauta francesa.

“Fiz jejum na minha casa durante uma semana e tudo ficou bem”, conta outro internauta que perdeu 8 quilos.

A uma mulher magra que duvida sobre o bom senso do jejum emagrecedor, um entusiasta contesta: “Nosso corpo é inteligente, perde pouco quando temos pouco a perder”.

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Nesse tipo de jejum a alimentação se reduz muitas vezes unicamente a alimentos líquidos (sopas, suco de limão). Alguns praticam em casa, outros em spas e locais especializados.

O turismo do jejum custa centenas de euros por semana e inclui estadas no campo ou na montanha, com algumas excursões. Também existem clínicas privadas elegantes que oferecem o serviço. Um site oferece um exemplo de pacote “Jejum desintoxicante no deserto marroquino”.

Raphael Pérez, doutorado em farmácia, dá consultas em Lyon e organiza estadas de jejum “em um lugar tranquilo”. Segundo ele, atende apenas pessoas com boa saúde.

“Se a pessoa quer fazer o melhor jejum possível, então tomará somente água. Geralmente é feito por uma semana”. “Quando jejuamos, o corpo acelera seu ritmo de eliminação de toxinas pelo fígado, rins e a pele. Como não recebemos alimentação, o corpo utiliza suas reservas” explica Pérez. “Mas se depois do jejum começamos a comer desordenadamente, os problemas voltarão. O jejum não é uma solução mágica” adverte Pérez. Os médicos concordam apenas com a última parte do discurso de Pérez.

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“Aberração”

“Não existe nenhum médico hoje em dia que diga que o jejum é bom, a não ser que se trate de um guru”, critica o nutricionista Pierre Azam. “É uma aberração. Foi tão banalizado que se transformou em uma moda”, lamenta.

Para Jean Michel Cohen, nutricionista, jejuar “não tem nenhum sentido”. “Jejuar durante 24 horas depois de ter bebido e comido pode ser, mas fazer isso para se desintoxicar não serve para nada. Pelo contrário, o corpo termina ainda mais cansado”, explica.

Cohen lamenta que o jejum tenha recebido um “aval médico” depois que um pesquisador fez a relação entre o jejum e a cura do câncer. “A repetição do jejum durante dias e semanas debilita o organismo”, analiza Pierre Azam.

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“Usamos nossas reservas, às vezes aquelas que não desejamos como a gordura corporal, mas às vezes também a massa muscular, proteica, que é essencial para o organismo”. “Imaginemos uma pessoa cardíaca. Se jejua, não vai obter as quantidades necessárias de cálcio e potássio, e se expõe seriamente a um infarto”, explica Jean Michel Cohen. “O jejum é muito perigoso”, conclui o especialista.

“Se diz (as pessoas com sobrepeso) que as dietas não funcionam. Então o jejum, uma solução rápida e radical, é visto como a resposta mágica para o problema” lamenta Cohen. A dieta por intermitência 5:2, em voga há cerca de dois meses, se transformou em outro sucesso na França, sem recorrer ao jejum. Se trata de fazer a dieta estrita durante dois dias por semana, com uma alimentação não superior a 500 calorias para mulheres e 600 calorias para os homens.

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