Especialistas da área do agronegócio defendem que Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, seja credenciada como capital do agronegócio. O engenheiro agrônomo Roberto Candirzan avalia que a discussão é infundada. “Os municípios travam esta batalha porque com este ‘título’ podem conseguir atrair investimentos, contudo as características de cada um os colocam em situação de empate; nenhum é melhor que o outro e temos que pensar em Mato Grosso como um todo”.

Hoje, o título é disputado pelos municípios de Rondonópolis, Lucas do Rio Verde e Sorriso, que configuram como os principais produtores de commodities como soja, algodão e milho.

Contudo, como defendem os estudiosos da área, nenhuma destas cidades oferecem infraestrutura e serviços como as existentes na capital do estado. O secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller, dá a entender em discursos proferidos em encontros e seminários que esta questão – qual deveria ser a capital do agronegócio -, pouco importa.

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Em entrevista ao AGORA MT, disse que o estado enfrenta problemas maiores. “Temos que nos preocupar em resolver o grande problema enfrentado pela economia de Mato Grosso: a logística; não vou entrar no mérito de quem é a capital do agronegócio”.

Opinião diferente tem o economista Marcelo Jacinto de Souza Júnior. Ele lembra que o aeroporto internacional do estado fica localizado em Várzea Grande, município vizinho a capital, integrante da baixada cuiabana (região do Estado de Mato Grosso cujos limites geográficos estão definidos, ao sul, pelo portal do Pantanal mato-grossense e a nordeste por Chapada dos Guimarães. Formada pelos municípios que margeiam os rios Cuiabá e Paraguai, juntamente com seus afluentes e defluentes, tem como principal pólo de desenvolvimento a atual capital do estado).

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“Hotéis, restaurantes, shoppings e demais serviços são oferecidos em maior número e com mais qualidade na capital; entender Cuiabá como capital do agronegócio é natural, pois estes serviços se desenvolvem com mais rapidez primero nas capitais dos estados para depois se desenvolverem em grandes centros econômicos Rondonópolis e Sorriso”.

Outro argumento usado pelos estudiosos é de que a ‘eleição’ de Cuiabá como capital acabaria com a rixa entre as outras cidades citadas.

EXPORTAÇÕES

De acordo com a Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa), as exportações do agronegócio brasileiro de janeiro a outubro deste ano somaram US$ 86,42 bilhões, valor que representa um crescimento de 6,9% em relação aos US$ 80,88 bilhões obtidos no mesmo período do ano anterior. As importações alcançaram US$ 14,29 bilhões e o saldo da balança comercial foi de US$ 72,13 bilhões.

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No período, os produtos de origem vegetal foram os que mais contribuíram para o crescimento de US$ 5,54 bilhões nas exportações. O principal setor, em termos de valor exportado foi o complexo soja, com US$ 29,19 bilhões, isto é, 18,4% superior à cifra alcançada em 2012. As carnes apresentaram o segundo melhor resultado em vendas, alcançando US$ 13,96 bilhões, enquanto o sucroalcooleiro foi o terceiro, com US$ 11,64 bilhões.

No que se refere ao complexo soja e a produção de carnes, Mato Grosso foi mais uma vez o estado que contribuiu com maior parcela para este resultado.

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