Imagem do filme 'Outro Sertão'. Foto: Divulgação
Imagem do filme ‘Outro Sertão’. Foto: Divulgação

Em meio à polêmica sobre biografias , um filme não autorizado sobre o escritor Guimarães Rosa ganhou o prêmio do público de melhor documentário nacional na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo .

O prêmio para “Outro Sertão”, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, foi anunciado na noite desta quinta-feira (31), durante cerimônia de encerramento do festival.

Ao aceitar o troféu, Vilela lembrou que há um ano ela e Jacobsen consideraram engavetar o projeto por não terem a autorização de duas das três partes herdeiras. “É uma honra imensa saber que o público quer ver”, disse.

“Outro Sertão” fala sobre o período em que Guimarães atuou como diplomata na Alemanha, ajudando judeus a escapar do regime nazista. Jacobsen e Vilela começaram o projeto em 2003 e, de início, contaram com o apoio dos familiares de Guimarães, que inclusive estão creditados como colaboradores do processo de pesquisa.

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Os problemas começaram em 2011, com a entrega da listagem de material que entraria no filme ao advogado das herdeiras do primeiro casamento do escritor. Segundo a diretora, teve início um processo de negociação no qual a família chegou a pedir um valor equivalente a 50% do orçamento do filme, que na época era de quase R$ 600 mil (ao final chegou a R$ 960 mil). Em 2012, sem que o filme tivesse sido mostrado, a negociação foi encerrada.

Em entrevista, Jacobsen disse acreditar que o problema não está ligado a dinheiro, mas, sim, a “ruídos de comunicação” e a um “desconhecimento” das herdeiras, que não fizeram reclamações pontuais sobre o conteúdo.

“Penso que há uma vontade compreensível de querer preservar a imagem e a privacidade do pai”, afirmou, a diretora, que ainda espera solução “pacífica”. “Acho que, quando assistirem, elas vão gostar do filme e perceber que é uma homenagem ao Guimarães.”

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Ela está ciente de que ir em frente com o documentário sem o apoio da família representou o risco de nunca vê-lo lançado comercialmente. “Por enquanto, vamos mostrando para as pessoas nos festivais, para que elas julguem por si mesmas se o filme deve ou não ser mostrado”, afirmou.

“É incompreensível para nós que uma biografia tão bem pesquisada e baseada em fatos seja proibida. Não é possível que a lei permita isso”, continuou. “A gente não fere em nada a honra do Guimarães, pelo contrário, retrata um momento bonito em que ele ajudou vários judeus. É direito do povo brasileiro saber disso, conhecer a história dos homens públicos.”

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