Cenário perfeito. Maracanã tomado, favoritismo e classificação próxima. No fim, lágrimas e frustração no lugar de festa. Experiências negativas que deixaram marcas na história do Flamengo e que hoje servem de lição para o grupo comandado por Jayme de Almeida. Capítulos melancólicos que viraram antídoto contra tragédias. Quando entrarem em campo na noite desta quarta-feira, às 21h50m (de Brasília), no Maracanã, os jogadores rubro-negros terão o Goiás pela frente. Em vantagem na disputa por um lugar na decisão da Copa do Brasil, podem até perder por 1 a 0.

Se Jayme insiste em dizer que a vaga ainda não foi conquistada, um olhar para o passado recente também ajuda a manter os pés bem presos ao chão.

A história conta e avisa que surpresas vira e mexe dão as caras. E o Flamengo tem pelo menos três razões para não duvidar. O clube já protagonizou vexames na Copa do Brasil, na Libertadores da América e no Carioca. Fracassos que viraram aprendizados.

Nada de santo

O ano de 2004 deixou marcas e vez ou outra é lembrado. Na final da Copa do Brasil daquele ano, Flamengo, favoritíssimo, e Santo André decidiram a competição. Mas foi no Ramalhão que fez história. O primeiro jogo havia terminado empatado por 2 a 2 no Palestra Itália, em São Paulo. Na volta, 72 mil rubro-negros lotaram o Maracanã, no dia 30 de junho, confiantes no fim de um jejum de 12 anos sem títulos nacionais. Após um início equilibrado, Sandro Gaúcho abriu o placar aos sete da segunda etapa para o Santo André, e Élvis acabou com as esperanças rubro-negras 15 minutos depois. Foi a segunda vez que uma equipe de Série B do Campeonato Brasileiro venceu a Copa do Brasil (assista ao vídeo ao lado).

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Cabañas no caminho

Quatro anos mais tarde, o assunto era Libertadores da América. A noite no Maracanã começou com uma despedida festiva e terminou com um vexame. Diante de 50 mil torcedores, o Flamengo escreveu uma das páginas mais melancólicas de sua história.

– Foi a minha maior derrota no futebol – sentenciou Ronaldo Angelim, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.

Pense no cenário perfeito para um grande espetáculo de futebol. Oitavas de final de Libertadores. Maracanã tomado por 50 mil pessoas. Flamengo contra o América-MEX. Rubro-Negro em campo sustentado por vantagem de 4 a 2 no jogo de ida. A classificação parecia garantida. A torcida estava em festa. O time acabara de ser campeão carioca sobre o Botafogo. Joel Santana comandaria seu último jogo antes de ir treinar a seleção da África do Sul. Caio Júnior assumiria. Para o “papai” Joel, placa e camisa comemorativas e muitos aplausos. A emoção ecoava em cada canto do estádio na noite do dia 7 de maio de 2008. Mas, mesmo com todos esses adornos, ela simbolizou um dos maiores fracassos da história do clube.

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Angelim, atleta que estava entre as referências daquele time e ocupa lugar especial no coração dos rubro-negros, guarda, apesar do sofrimento, uma relíquia daquela jornada trágica: a camisa usada pelo algoz. O zagueiro fazia dupla naquela noite com Leonardo. Uma de suas principais tarefas era marcar o atacante Salvador Cabañas. No jogo de ida, tudo havia funcionado em perfeita ordem. O gordinho matador não conseguiu balançar as redes no México. No jogo de volta, porém, o paraguaio fez dois dos três gols que deram a vitória ao América. Um 3 a 0 que silenciou profundamente o Maracanã.

– Nós não tínhamos nem descansado direito da conquista sobre o Botafogo. A gente achava que a vaga já estava garantida pelo resultado que fez lá. Tanto que, no dia do jogo, chegou ao Maracanã faltando quase cinco minutos pro jogo. A gente entrou sem nem aquecer. Acho que, se não tivéssemos sido campeões três dias antes, teríamos passado e conquistado a Libertadores – contou Angelim.

Pesadelo de carnaval

O Maracanã, que ainda não estava moderno e remodelado, viu e não acreditou. Nem ele, nem a maioria das pessoas que estavam por lá. O baile do vermelho preto ficou preto e branco. Era 21 de fevereiro de 2009, um sábado de carnaval no Rio de Janeiro. Flamengo e Resende se enfrentavam pela semifinal da Taça Guanabara. Tinha tudo para ser um desfile rubro-negro, só que o samba atravessou. Naquela tarde, o previsível não foi ao jogo.

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Pênalti para o Resende. Bruno Meneghel: 1 a 0. Desorganizado, o Flamengo de Cuca não conseguia se encontrar no meio-campo. Um a zero que virou dois no segundo tempo. Hiroshi, em bomba de fora da área, venceu Bruno e fez a paciência do torcedor rubro-negro acabar. O Flamengo diminuiu. Após bonita jogada de Willians, Josiel dividiu com o goleiro Cesar e marcou. Mais Resende? Bruno Meneghel. Incrivelmente fácil: 3 a 1, e classificação inédita para a final conquistada (assista ao vídeo) – o Resende foi derrotado pelo Botafogo na decisão.

Jayme olha para frente

Jayme de Almeida diz que não vai usar nenhuma dessas experiências para deixar seus jogadores em alerta nesta quarta. Segundo ele, são novos tempos, o grupo é outro e não há razão para abrir feridas.

– Cada jogo é um jogo, cada jogo tem uma história. Se o time está preparado para jogar uma semifinal desse porte, não preciso ficar falando que perdeu semifinal e final no Maracanã ou que ganhou um monte. Acho que é o momento desse Flamengo. Não era o mesmo grupo em algumas derrotas. Esse grupo tem que tentar fazer história no clube. Agora é a hora deles – frisou.

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