A abrangência do cinema de Bruno Barreto torna difícil a tarefa de advinhar seus próximos projetos. De adaptações de Jorge Amado (“Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Gabriela, Cravo e Canela”) a dramas indicados ao Oscar (“O Que É Isso, Companheiro?”), o diretor trafega bem por diversos gêneros.

Por esse motivo, não foi de todo surpreendente quando Barreto assumiu a direção de “Crô – O Filme”, que leva ao cinema o personagem criado por Aguinaldo Silva (que assina o roteiro do longa) na novela “Fina Estampa”.

Com Marcelo Serrado e Alexandre Nero (entre outros atores) de volta em seus papéis, o filme fez um bom trabalho ao se tornar independente da novela. Porém, a mudança de humor da TV para o cinema fez o personagem perder a força, ficando às vezes até chato.

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No longa, Crô (Serrado) está entediado com a vida de milionário depois de herdar a fortuna de Teresa Cristina (ainda na novela). Agora que não precisa mais trabalhar, ele tenta ocupar o tempo livre com os mais diferentes hobbies, mas não tem sucesso em nenhum deles.

Crô, então, percebe que, mesmo não precisando, ainda quer servir. Em busca de sua próxima “musa” (como ela chama a futura patroa), o mordomo começa uma série de entrevistas com as mulheres mais ricas de São Paulo. Quem mais se destaca no processo é Vanusa (Carolina Ferraz), uma mulher que busca ascensão social e, secretamente, explora trabalhadores em uma fábrica de roupas.

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O ponto forte de “Crô” é o elenco afiado e bem familiarizado com os seus personagens. A dupla de Serrado e Alexandre Nero (o motorista Baltazar) ainda mantém a química da novela. Mas o destaque vai para Carolina Ferraz, “novata” no universo criado por Aguinaldo Silva. A vilã tem as cenas mais engraçadas, assim com as mais pesadas (que acontecem em sua fábrica ilegal).

Os trejeitos afeminidos e exagerados que fizeram a fama de Crô na TV foram transportados à risca para o cinema. Mas a dose de poucos minutos diários com que as afetações eram servidas durante “Fina Estampa” funcionavam bem. Já no filme, ver o ex-mordomo repetir as mesmas caras e bocas cansa na primeira meia hora.

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O que ajuda o filme a manter um pouco de ritmo são as participações especiais. Ivete Sangalo, como mãe e primeira “musa” de Crô, e Gaby Amarantos, uma aspirante a patroa, entregam alguns dos momentos divertidos. Mas as contadas cenas em que o humor funciona não superam os longos momentos de silêncio e risos forçados.

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