O primeiro teste foi no mês passado, no Grand Prix de Minneapolis. Depois de seis meses se recuperando de uma cirurgia no ombro direito, Bruno Fratus estava de volta às competições. Ainda com uma pontinha de receio, mas cheio de vontade. E escolheu o Torneio Open, última competição do ano no calendário nacional, que está sendo disputada no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre, para mostrar que está totalmente recuperado e pronto para a caminhada até os Jogos de 2016.

– Esse foi o campeonato que escolhi para nadar raspado e fazendo tempo. Tenho consciência de que ainda não estou no auge da minha forma, que ainda há coisas a serem trabalhadas. Essa foi uma temporada de muito cuidado e estudo, para aprender sobre a lesão, o ombro e como trabalhar daqui para frente. De ver o que tínhamos e teremos que mudar para não correr novos riscos. E isso implicou em mudança de treino.

Não fui com o pé até embaixo. Houve um pouco mais de cautela nos treinos. Apesar disso, estou com uma natação rápida, estou forte e consegui chegar seco. Acho que vou nadar bem todas as provas e poder ajudar o Pinheiros também. Vai ser bom matar a saudade – disse.

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Até porque em janeiro a vida vai mudar. As malas já estão prontas, as passagens compradas e Auburn esperando por ele. Fratus não vê a hora de iniciar o trabalho com Brett Hawke, técnico que fez parte das conquistas olímpicas de Cesar Cielo em Pequim 2008. Para ajudar na adaptação, contará com a companhia da noiva, a ex-nadadora Michelle Lenhardt.

– Sei que a cidade lá é pequena, mas tudo o que eu quero é paz, sossego e silêncio. E vai ser muito bom ter alguém que já foi atleta de alto nível ao meu lado, cuidando de mim. Michelle vai me ajudar e quero muito que ela volte a nadar. Não tenho dúvida também de que se tem um cara que pode me ajudar a chegar no lugar que eu quero, é o Brett. A gente criou uma relação legal, diferente da que eu já tive com qualquer técnico. Ele era velocista como eu (foi sexto colocado nos 50m livre nos Jogos de Atenas 2004) e, reza a lenda, que de vez em quando ele sobe no bloco e dá um couro na molecada – diverte-se.

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O tempo afastado das piscinas e o sabor amargo que aquele quarto lugar nas Olimpíadas de Londres, fizeram Fratus mudar a maneira de pensar. Queria mudanças. De ares, de vida, de pensamento. Hoje, já não trabalha mais em função de fazer um tempo x numa prova. Quer é nadar o mais rápido que puder. Quer estar no pódio nas principais competições internacionais.

– A última vez que treinei pensando em tempo foi em 2012. Sempre fui muito chato com resultado desde 2010. Sempre me cobrei tanto, muito. A última temporada, apesar dos resultados muito bons, de eu ter feito o melhor tempo da vida nos 50m livre, foi uma sucessão de “quases”. Mas vejo a Poliana Okimoto agora e penso que ela veio de muitos “quases”. Thiago Pereira de inúmeros “quases”. Eu fui quinto no Mundial de Xangai 2011 e quarto nas Olimpíadas. Depois de Londres não foi fácil para mim. Não cheguei onde queria. Não fiquei desanimado, mas aquilo me trouxe tristeza. O processo de volta levou um tempo. Até que transformei isso numa motivação extra. Minha família, a Michelle e meus amigos foram muito importantes nesse processo. Então, se eu tivesse que pedir um presente de Natal era poder atingir os resultados planejados para esse ciclo. Papai Noel não precisava nem me dar presentes nos outros anos (risos).

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Para a próxima temporada, Bruno Fratus planeja a volta triunfal. É em 2014 que o ciclo olímpico de 2016 terá início de fato para ele.

– Vou treinar em cima de qualidade. Indo direto ao ponto. A minha primeira competição vai ser o Maria Lenk e dá uma dor no coração pensar que não vai ser realizado lá no parque aquático que leva o nome dela. Os outros campeonatos importantes para mim vão ser o Pan-Pacífico da Austrália, o Mundial de piscina curta em Doha. Estou animado!

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