Trinta e seis médicos cubanos chegaram a Mato Grosso para integrar o programa “Mais Médicos”, do governo federal. Os profissionais estão em Cuiabá realizando curso até sexta-feira (6), quando seguem para os municípios onde irão atuar. Por uma semana, eles receberão informações sobre a rede pública de saúde local e perfil das doenças. Só poderão iniciar o atendimento após a regularização junto ao Ministério da Saúde. A expectativa é que até abril cerca de 250 médicos cubanos cheguem ao Estado. Até o momento, 17 estão atuando, entre cubanos, brasileiros e espanhóis.

Curiosos e motivados pela expectativa de prestar atendimento à população, os médicos de Cuba desembarcaram no último final de semana em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. O grupo partiu de Brasília, onde obteve os primeiros conhecimentos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Em Cuiabá, os cubanos descobrem um pouco mais sobre as particularidades da língua portuguesa, do calor característico e sobre a divisão do Estado em regiões de saúde.

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O mapa de Mato Grosso é uma das peças de trabalho que acompanha os cursistas. A equipe da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que presta a capacitação esta semana, explora o material visual para apontar as cidades e explicar as distâncias da Capital. Secretária adjunta de gestão estratégica, Marlene Anchieta Vieira, explica que o tipo de organização, missão da rede de atenção básica e vigilância sanitária, fazem parte do curso.

A necessidade de obter informações demonstra a ansiedade dos médicos cubanos, que preferem se ater ao trabalho e não comentar sobre o modelo de remuneração. “Nós estamos no Brasil não para trabalhar por dinheiro, mas por solidariedade”, disse o médico Alexandre Martina ao ser questionado sobre o contrato do “Mais Médicos” firmado com o governo cubano.

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De acordo com o contrato, o salário do profissional deve ser repassado à Organização Panamericana de Saúde (Opas), que repassa ao governo e, em seguida, é pago aos profissionais com desconto.

Catorze cidades de Mato Grosso recebem médicos este mês, sendo que 61% irão trabalhar em Distritos Sanitários Especiais Indígena (Dsei). A escolha por este tipo de atendimento foi motivada, para muitos, por experiências passadas em outros países. A Venezuela recebeu na última década médicos como Jorge Veranes Arnaud, 50 anos, e Melba La O Cardoso. Por 8 anos eles permaneceram atendendo tribos e acreditam que não terão muitas dificuldades de adaptação.

Entretido com o tablet cedido pelo Ministério da Saúde, Jorge pontuou somente o desafio de aprender a língua portuguesa e as línguas que serão descobertas no Dsei Xingu em Canarana (região Leste). O clínico geral e reumatologista, atua há 25 anos em Cuba e torce pelo sucesso do “Mais Médicos”. “Eu acho que aqui tem um programa muito bom, bem organizado, estruturado. Só precisa ativá-lo”, observa.

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Jorge explica que a atenção básica precisa de pessoas envolvidas com a comunidade, que conheçam a realidade. Ele conta que enquanto trabalhou na rede em Cuba sempre morou na área de trabalho. Antes de chegar ao Brasil estava locado na Policlínica do Norte em Guantánamo, onde a família permanece.

A médica Melba leva para o Dsei Xavante de Barra do Garças (região Leste) a experiência de convivência em uma tribo do estado venezuelano de Apure. Entre 2003 e 2011, a profissional cubana prestou atendimento à população indígena. Destacando a independência feminina, Melba garante que a distância dos familiares não é problema.

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