Marya Bravo e Thiago Chagas vivem as eternas rivais Magda e Madalaine (Foto: Arthur Seixas)
Marya Bravo e Thiago Chagas vivem as eternas rivais Magda e Madalaine (Foto: Arthur Seixas)

Muito antes de livros como a saga “Crepúsculo” e séries de televisão como “True Blood” e “The Vampire Diaries” virassem moda, as histórias sobre seres sobrenaturais sedentos por sangue humano causam fascinação no público. Imortalizado no romance “Drácula” (1897), do escitor irlandês Bram Stoker, os vampiros já aterrorizavam os espectadores do cinema, em clássicos dos anos 20 e 30, como “Nosferatu” (1922), de Friedrich Wilhelm Murnau, e “Drácula” (1931), de Tod Browning.  A aura de mistério que envolve as as criaturas da noite segue encantando pessoas de todas as idades. Talvez por isso o espetáculo americano “Vampiras Lésbicas de Sodoma” tenha sido um dos títulos que mais tempo ficou em cartaz no circuito off-Broadway.

Primeiro texto do ator, dramaturgo e transformista Charles Busch, a sátira cult estreou em 1984, no East Village de Nova York. Sua popularidade a levou para o famoso cenário underground norte-americano, onde ficou em cartaz por cinco anos. Amante do gênero, o produtor Jonas Klabin decidiu trazer a história para o Brasil em uma versão musical que estreia amanhã, no Teatro Café Pequeno, no Rio de Janeiro.

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– Já conheço o trabalho do Charles Busch há um bom tempo e tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente por meio de amigos em comum. Seu trabalho é muito interessante, mas não é conhecido no Brasil. Imaginei que trazer seu primeiro texto seria uma maneira legal de introduzi-lo aqui no país. Ele ficou encantado com a ideia do musical! Era, inclusive, algo que ele sempre teve vontade de fazer – explica Klabin, que também assina a direção do espetáculo.

A trama narra a vida de duas vampiras que vivem em eterna e cômica rivalidade: a monstruosa Magda e a virgem Madalaine. Aproveitando-se da imortalidade característica destes seres, o espetáculo se passa em três tempos distintos. Após sobreviverem à queda da mítica cidade bíblica de Sodoma nos anos antigos, as duas se reencontram em 1920, como divas da Broadway e de Hollywood; e depois em 1980, na cidade de Las Vegas, como duas showgirls. Na versão brasileira do espetáculo, os três espaços são representados pela cidade do Rio de Janeiro.

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Assim como no original americano, o papel de Madalaine é interpretado por um ator. Enquanto lá fora o próprio Charles Busch dá vida à virgem, aqui o papel cabe a Thiago Chagas. A atriz Marya Bravo encara a outra protagonista. Mais cinco atores compõem o elenco e se desdobram em diferentes personagens que cruzam a vida das duas – soldados de Sodoma, jovens estrelas de Hollywood, bailarinos de coro e caçadores de vampiros.

– Essa variação do tempo acaba sendo muito divertida porque dá pra brincar com figurino e elementos de cena. É uma experiência bem diferente! As personagens foram baseadas nas grandes divas no cinema clássico hollywoodiano, nas chamadas femme fatales. Betty Davis e Joan Crawford seriam duas referências para as vampiras, não só por seus trabalhos como atrizes, mas pela competição não alegada que existia entre elas.

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Na mesma linha, o produtor Jonas Klabin foi responsável pelos musicais “As Mulheres de Grey Gardens” (2013) e “Hedwig e o Centímetro Enfurecido” (2012). A primeira peça narrava o embate entre mãe e filha durante um período decadente de suas vidas; já a segunda conta a história de uma deusa do rock’n’roll alemã que, por um erro em sua operação de troca de sexo, é deixada com um “centímetro enfurecido”.

– Apesar de “Grey Gardens” não tratar sobre gênero e sexualidade, ela também se qualifica nessa categoria “off”. Gosto de falar sobre personagens que ninguém dá nada por, mas que trazem uma história maravilhosa por trás. É isso que me atrai – conclui o produtor.

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