Uma boa noite de sono é revigorante por vários motivos, pois o corpo recupera a energia e restabelece o seu equilíbrio geral, além de ativar a memória, entre outros benefícios para o organismo. Mas nem sempre conseguimos usufruir desse momento para “recarregar as baterias” como deveríamos.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 40% da população mundial sofre de algum tipo de distúrbio ou síndrome do sono. E o ronco é um deles! Conforme alerta o otorrinolaringologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, José Antônio Pinto, quem ronca não dorme bem e pode ter alterações da pressão arterial, problemas de comportamento, como falta de concentração, e desenvolver doenças cardiovasculares.

Causas

O primeiro passo para resolver um problema é entendê-lo. Por isso, perguntamos ao Dr. José Antônio o que é o ronco. Segundo o médico, esse distúrbio do sono surge devido ao estreitamento ou à obstrução das vias aéreas superiores (nariz, garganta, laringe, faringe, seios paranasais), o que prejudica a passagem do ar e produz uma vibração na região da garganta, provocando aquele ruído incômodo.

Pessoas obesas, por exemplo, estão mais propensas a ter esse desconforto por causa do maior volume de tecido na garganta, o que pode atrapalhar a atividade respiratória. “Quem tem alterações na região da face, como mandíbulas caídas, dificuldade de respirar pelo nariz ou amídalas muito grandes, também é vulnerável”, revela.
Livre-se do problema

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Uma medida bastante eficaz é mudar a inclinação do corpo quando se está deitado. Isso pode ser feito de maneira muito simples, com o uso de calços na cabeceira da cama. A providência diminui a ação da gravidade e reduz a possibilidade de a língua atrapalhar a passagem de ar pela garganta.

O uso de aparelhos intraorais também é eficiente em casos considerados leves ou moderados, pois atuam como posicionadores mandibulares. “Com a utilização desses aparelhos, o ar passa com facilidade pela garganta, já que ela estará mais aberta, livre da resistência provocada pelo relaxamento dos músculos presente em quem ronca”, explica o especialista em odontologia do sono, Eduardo Rollo Duarte.

Além dessas ações, hábitos mais saudáveis de vida são grandes aliados da prevenção: evitar comidas pesadas e o uso de sedativos e analgésicos antes de dormir ajuda muito. “Não consumir bebidas alcoólicas, parar de fumar e praticar atividades físicas diárias complementam a lista de cuidados”, detalha José.

No entanto, essas atitudes podem não ser suficientes. Nesse caso, é preciso consultar um médico com formação em medicina do sono, pois ele é o profissional indicado para avaliar o grau do distúrbio. Em situações mais graves, uma cirurgia pode ser recomendada como solução para os pacientes.
Mitos e verdades

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Confira a seguir o que dizem os nossos especialistas a respeito das crenças mais comuns que envolvem esse assunto.

O ronco é mais frequente em quem dorme de barriga para cima.
TALVEZ: Quem ronca vai ter o problema independentemente da posição na qual durma. Porém, a afirmação não é um mito. “De barriga para cima, os músculos tendem a obstruir a garganta com mais facilidade, aumentando a dificuldade da passagem do ar e as chances de desenvolver o distúrbio”, explica Eduardo.

O ronco pode causar apneia.
VERDADE: Roncar não é uma ação normal do corpo e pode ser sinal de apneia do sono, que é a falta de ar por mais de 10 segundos. Eduardo alerta que a doença é um risco para a saúde, pois fragmenta o sono e altera os níveis de oxigênio no sangue. Vale lembrar que nem toda pessoa que ronca tem apneia, mas quem tem a doença ronca.

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O ronco pode causar problemas no coração.
VERDADE: Como citado pelo médico José Antônio, o ronco pode gerar doenças cardiovasculares.

Roncar é sinal de sono profundo.
MITO: Muito pelo contrário! Quem ronca dorme mal e não atinge o chamado sono profundo. “Além de poder desenvolver a apneia, a pessoa não tem um repouso reparador nem relaxa o quanto deveria”, alerta o dentista.

Roncar pode causar disfunção erétil.
VERDADE: Eduardo explica que o roncador não descansa como deveria enquanto dorme, perde energia e fica ainda mais cansado: “Quando associadas à apneia do sono, essas condições podem, sim, levar a problemas de ereção”.

Ronco não tem solução.
MITO: Tem, sim! Esse distúrbio do sono pode ser controlado por meio de hábitos saudáveis e outras medidas, como o uso de aparelhos intraorais e cirurgias, citadas anteriormente.

Exagerar na bebida alcoólica provoca o ronco.
VERDADE: O consumo de álcool em excesso resulta em hipotonia da musculatura faríngea, ou seja, colabora para a obstrução da via aérea e aumenta a possibilidade de roncar.

O cansaço também resulta em ronco.
VERDADE: Quando uma pessoa está muito cansada pode, sim, roncar, uma vez que a musculatura das vias aéreas superiores tende a ficar mais relaxada.

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