A crise financeira que assola o time do Rio de Janeiro desde a saída de seu patrocinador master, a OGX, provocou mais uma baixa nesta sexta-feira. Após a saída do central Maurício Souza para o voleibol turco, foi a vez de o levantador Bruninho se despedir do atual campeão da Superliga rumo ao Modena, da Itália. As principais estrelas da franquia não recebem salário há quatro meses.

Em carta de despedida postada na sua fan page no Facebook, o jogador lamentou o momento vivido pela equipe, mostrou-se triste pela transferência e decepcionado com a condição do esporte, a dois anos e meio do início das Olimpíadas no Rio.

Antes do levantador, o atacante Leandro Vissotto já havia desabafado sobre as condições enfrentadas por ele e seus companheiros. Naquele momento, o oposto chegou a declarar que outras equipes também estavam sofrendo com salários atrasados, mas foi desmentido pelos diretores do Volta Redonda, um dos supostos times que não estariam pagando os ordenados em dia.

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Além de Bruninho e Vissotto, Thiago Alves, Thiago Sens, Mário Jr., Riad e mais a comissão técnica também só receberam o primeiro mês e nada mais. Os que recebem um ordenado menor são pagos pelos atuais colaboradores Furnas e Ironage, que também auxiliam na parte logística.

Confira o relato na íntegra:

“Bom dia pessoal, antes que a mídia noticie, estou aqui!

A situação do RJ Vôlei, como é do conhecimento geral, não é das melhores. Recebi propostas anteriormente, mas acreditei que pudéssemos resolver o problema do clube e tinha a esperança de que conseguiríamos outros parceiros para a manutenção de todo o elenco.

Mas eu e alguns companheiros de elenco recebemos apenas um mês desde o início da temporada, situação que me levou a tomar a decisão mais difícil da minha carreira: a de deixar o Brasil por algum tempo.

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Estou aceitando a proposta de jogar o restante da temporada em Modena, cidade da Itália onde já atuei em 2011 e pela qual tenho um grande carinho.

Jamais gostaria de deixar amigos, companheiros e uma torcida que nos apoia no meio de uma competição como a Superliga. Mas a situação se torna inevitável e, na nossa curta carreira de atletas, não podemos abrir mão dos nossos direitos como profissionais por praticamente uma temporada inteira.

É claro que continuo acreditando no vôlei do Brasil e jogar aqui sempre será minha primeira opção. Mas vejo que devemos nos preocupar com a situação geral do esporte em nosso país.

O problema do RJ Vôlei não é um fato isolado. Colegas de profissão estão em outras equipes passando por problemas semelhantes e muitas vezes até piores do que o nosso no Rio de Janeiro.

É preciso valorizar o esporte coletivo que mais medalhas olímpicas e mundiais conquistou para o nosso Brasil.

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Se isso acontece em uma modalidade com tanta visibilidade, e considerada por muitos a segunda mais importante do país, imaginem o que se passa com as que não têm o mesmo espaço na mídia.

Sempre é bom lembrar que estamos a dois anos de uma Olimpíada, que além do mais será realizada aqui mesmo no Brasil, e no Rio de Janeiro.

Desculpem o desabafo, mas não poderia me calar diante dessa situação.

Espero que vocês entendam minha decisão e saibam que nesses últimos meses não faltou empenho para resolver o problema.

Desejo todo o sucesso aos meus companheiros e integrantes da comissão técnica. E agradeço o carinho que recebi da maravilhosa torcida do RJ Vôlei durante todo o tempo em que tive a honra de vestir a camisa 1 do clube.

Muito obrigado e conto com vocês sempre.

Bruninho #1”

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