Pelo menos 5 pessoas morreram e 66 ficaram feridas na violenta explosão de um carro-bomba nesta quinta-feira (2) os subúrbios da zona sul de Beirute, um reduto do movimento armado xiita Hezbollah, segundo as autoridades. Uma brasileira de 17 anos está entre os mortos, segundo sua família.

Várias pessoas ficaram feridas na explosão de um veículo 4X4.

“Uma explosão muito forte ocorreu no bairro de Haret Hreik, um setor muito povoado”, afirmou anteriormente a televisão do Hezbollah.

A cidade vem sendo palco de vários ataques a bomba nos últimos meses.

O conflito na vizinha Síria tem polarizado o Líbano e elevado as tensões sectárias.

O Hezbollah tem enviado combatentes à Síria para se unir às forças do presidente Bashar al-Assad, um integrante da minoria alauíta, uma ramificação do islamismo xiita, enquanto guerrilheiros muçulmanos sunitas se dirigiram para a Síria para lutar ao lado dos rebeldes que tentam tomar o poder.

Leia também:  Terremoto no México deixa mais de 200 mortos e dezenas de desaparecidos

Ninguém assumiu de imediato a responsabilidade pela explosão, que foi condenada por ambos os lados na disputa sectária libanesa. Não ficou esclarecido se o ataque tinha alguma pessoa específica como alvo.

O ministro das Relações Exteriores libanês, Adnan Mansour, apelou por apoio internacional para conter a violência e cortar as fontes de financiamento e outros tipos de apoio aos suicidas.

“Todos devem trabalhar para conter as fontes de terrorismo. Caso contrário, esse turbilhão vai engolir a todos. O Líbano está sofrendo, outros estão sofrendo, todo mundo está sofrendo”, disse ele à TV Al Arabiya.

A embaixada dos Estados Unidos em Beirute condenou o atentado “terrorista”, chamando o ato de “desumano”.

O Hezbollah está na lista de “organizações terroristas” de Washington.

“Nós condenamos o atentado terrorista. Nossas condolências às vítimas e às suas famílias”, escreveu a embaixada em seu Twitter.

O embaixador do Reino Unido, Tom Fletcher, também expressou sua “condenação ao ataque desumano em Beirute”, acrescentando que ‘os civis libaneses voltam a ser vítimas” da série de atentados no país.

Leia também:  Ataque terrorista deixa dezenas de feridos no metrô de Londres

Na semana passada, um atentado com carro-bomba matou o conselheiro do ex-primeiro-ministro Saad Hariri, Mohammad Chatah, hostil ao Hezbollah e ao regime de Bashar al-Assad na vizinha Síria.

Antes da guerra de 2006, que opôs o Hezbollah e Israel, seu inimigo jurado, o setor de Haret Hreik era “o perímetro de segurança” do movimento xiita, o que significa que a região abrigava as principais instituições do partido.O ataque desta quinta-feira também ocorreu perto dos antigos estúdios da Al-Manar.

Vários ataques atingiram Beirute e o norte do Líbano desde julho, visando principalmente redutos do Hezbollah, cujos membros combatem os rebeldes ao lado do exército do regime sírio.

Em 19 de novembro, um duplo atentado suicida reivindicado por um grupo ligado à rede terrorista da Al-Qaeda atingiu a embaixada do Irã, um aliado de Damasco, deixando 25 mortos.

Leia também:  Venezuelanos enfrentam fila para obter visto e cruzar fronteira para entrar no Brasil

Em 23 de agosto, dois ataques com carro-bomba contra mesquitas sunitas em Trípoli mataram 45 pessoas. Em 15 de agosto, 27 pessoas foram mortas na explosão de um carro nos subúrbios ao sul de Beirute, e em 9 de julho, um carro-bomba causou cinquenta feridos no mesmo local.

Na semana passada, Hariri acusou o Hezbollah do ataque contra Chatah que custou a vida de outras sete pessoas. Mas o Hezbollah negou qualquer envolvimento.

O assassinato de Chatah exacerbou as divisões já profundas no Líbano entre partidários e opositores do regime sírio, mas também as tensões entre xiitas representados pelo Hezbollah e sunitas representados por Saad Hariri.

E acontece no momento em que o Líbano não tem governo, em razão das profundas rivalidades em relação ao conflito na Síria.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.