As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram nesta sexta-feira (24) que aplicarão medidas disciplinárias contra os membros da guerrilha que participaram de um ataque na semana passada no departamento do Valle de Cauca, oeste do país. Devido à explosão de uma moto-bomba em La Pradera, uma pessoa morreu e 56 ficaram feridas.

Em uma carta aberta do chefe-máximo das Farc, Rodrigo Londoño, o “Timochenko”, reconheceu a autoria do atentado, um dia depois do término do período de cessar-fogo unilateral de fim de ano que a guerrilha havia estabelecido.

“A ordem [do atentado] partiu do comando de uma das unidades que compõem o Bloco Móvel Arturo Ruiz das Farc. Os responsáveis sofrerão sanções disciplinares e nós condenamos o ocorrido”, diz Timochenko na carta.

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Além da morte e dos feridos, o ataque danificou casas e a prefeitura da cidade. Timochenko rejeitou as críticas da imprensa local e de alguns setores políticos quanto ao fato de o atentado ter sido cometido em meio ao processo de paz. “Acreditamos que os responsáveis jamais tenham tido a intenção de ocasionar danos à população civil não combatente, mas isso não exclue a responsabilidade por falta de previsão dos efeitos sobre civis”, pondera o texto.

Nas chamadas zonas vermelhas (lugares em que o conflito entre o Exército e as Farc é intenso) são comuns atentados atingirem a população civil.

Em um outro texto veiculado hoje, Timochenko também reconhece que membros das Farc derrubaram um helicóptero civil que transportava militares na localidade de Anorí, Antioquia. Cinco militares morreram com a queda da aeronave. Timochenko disse que o incidente foi provocado pelas Farc e pelo Exército da Libertação Nacional (ELN).

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Entretanto, o líder da guerrilha disse que este não foi “o único helicóptero derrubado pelas Farc”, ao dizer que um atentado em Briceño, Antioquia, também teve autoria do grupo. Os dois incidentes aconteceram  durante o período de cessar-fogo unilateral.

Timochenko argumentou que os ataques foram respostas ao Ministério da Defesa colombiano que, em dezembro, mataram um chefe do grupo. Ele disse que a guerrilha “não teve alternativa senão  renunciar ao cessar-fogo” nessas regiões porque o Exército manteve ataques e “causou baixas em nossas frentes”.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, disse que os ataques representam “uma burrice infiltrada”, devido ao fato de terem ocorrido durante a negociação de paz. Desde o início do processo de paz, iniciado há um ano e dois meses, o governo manteve a ofensiva militar, mas diz estar confiante no resultado do processo.

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Até agora as Farc e o governo chegaram a dois acordos parciais. O primeiro sobre o tema agrário, o segundo sobre a participação política no pós-conflito. As negociações continuam e faltam quatro temas para análise.

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