A afirmação de Vitor Belfort de que pedirá a autorização da Comissão Atlética de Nevada para fazer uso de TRT (Terapia para Reposição de Testosterona) para a luta contra Chris Weidman, pelo cinturão dos pesos-médios, parece ter preocupado a entidade. Segundo entrevista de um de seus membros, Francisco Aguilar, ao site “MMA Junkie”, a permissão para lutar no estado deve ser concedida sem problemas, mas a permissão para o uso da reposição hormonal pode ser mais problemática.

– Acho que o pedido para o uso de TRT é algo relativamente novo, e não é muito comum que haja uma solicitação para fazê-la aqui em Nevada. Autorizar o pedido do senhor Belfort é algo novo para nós, mas acho que isso não fará a balança pender para o sim ou para o não. A licença para lutar não será um problema. Já a permissão para o uso da reposição hormonal pode ser – disse Aguilar, lembrando que, caso tenha o pedido aceito, o brasileiro será o primeiro a conseguir a permissão após ter sido flagrado em um exame antidoping. Segundo as regras, da Comissão, Belfort não precisa ter o uso da terapia autorizado para lutar. Basta a ele pedir a licença normal, que deve ser concedida após uma entrevista – presencial ou por telefone – por se tratar de um atleta com mais de 35 anos de idade.

O histórico de Vitor Belfort, no entanto, pode fazer a Comissão Atlética de Nevada a submetê-lo a uma série extra de questionamentos. Mesmo afirmando que precisa da terapia por razões médicas, o brasileiro tem contra si o fato da entidade não permitir o uso da terapia a quem já foi flagrado fazendo uso de substâncias proibidas. O ex-diretor da entidade, Keith Kizer, disse dois meses após o brasileiro declarar publicamente fazer uso de TRT, que não concederia a permissão para que ele fizesse uso da terapia no estado de Nevada.

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Para conseguir a permissão, Vitor terá que provar através de documentos e de exame de sangue que precisa da terapia por razões de saúde. Mesmo apresentando a permissão para uso da terapia no Brasil, Belfort ainda terá que assinar um termo garantindo que jamais se utilizou de substâncias proibidas. O que, segundo a Comissão Atlética de Nevada, ele fez, especificamente no Pride 32, realizado em Las Vegas, na luta contra Dan Henderson. Na ocasião, Vitor teve em seu exame a presença de tetrahidroxitestosterona. Mesmo suspenso, o brasileiro garantiu que não fez uso da substância através de um e-mail enviado em 21 de outubro de 2006 ao então chefe da Comissão.

– Tudo que tenho a dizer é que comprei o suplemento “Max Tribostak’ na loja “Max Muscle” em La Habra, Califórnia. Não fazia ideia de que o suplemento adquirido em um estabelecimento comercial continha uma substância ilegal no estado de Nevada. Esse desconhecimento trouxe prejuízos à minha imagem, massacrada em todos os jornais no Brasil, a perda de alguns patrocinadores e, acima de tudo, o risco de suspensão pela Comissão Atlética de Nevada. Espero que o senhor considere este depoimento antes de tomar qualquer decisão formal de punição – diz o e-mail.

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Dois meses mais tarde, em dezembro de 2006, Belfort falou à Comissão por telefone sobre o resultado positivo. O lutador disse que o flagrante se deu por conta do suplemeto e de um tratamento que fez para uma lesão no joelho, feito seis meses antes da luta contra Henderson. Vitor apresentou uma carta do endocrinologista brasileiro Rodrigo Greco, que admitiu ter aplicado testosterona três vezes por semana em 2006. Segundo a ata da sessão, Belfort afirmou ter recebido duas ou três injeções para a recuperação do joelho, de forma que pudesse treinar.

O então membro da Comissão, Tony Alamo, não se convenceu com os argumentos de Belfort. Na mesma ata da sessão, Alamo disse que as justificativas não eram válidas.

– Tony Alamo afirmou que se a cirurgia aconteceu em junho e Belfort recebeu as injeções logo após o procedimento, provavelmente não haveria mais traços da substância em outubro. O senhor Belfort também declarou que tomou algumas injeções de anti-inflamatórios para uma lesão nas costas, mas Tony Alamo afirmou que anti-inflamatórios não são flagrados em exames que buscam esteroides. Outro membro da comissão, John Bailey, também declarou que Vitor Belfort não disse, nos questionários pré-luta, a existência de qualquer lesão nas costas, mas o lutador respondeu dizendo que não era uma grande lesão, apenas uma dor causada pelo duro treinamento a que se submeteu.

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Na ocasião, Belfort foi suspenso por nove meses, multado em US$ 10 mil e informado da necessidade de passar por um novo exame antidoping para voltar a receber a licença para lutar no estado de Nevada, o que aconteceu no UFC 126, cinco anos depois, quando Vitor foi autorizado a lutar em Las Vegas para desafiar Anderson Silva, quando foi nocauteado no primeiro round, em sua única derrota entre os pesos-médios do UFC.

Segundo Francisco Aguilar, o caso de Vitor Belfort tem que provar que a Comissão Atlética de Nevada é justa consigo mesma, com os demais lutadores e com o UFC.

– Não quero especular se Vitor Belfort receberá ou não a autorização para uso de TRT antes de ouvir toda a história e me inteirar sobre o caso completamente. Nós já lidamos com casos de diversos lutadores, com características muito específicas. Temos que analisar cada um deles individualmente – finalizou.

 

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