A safra 2012/2013 chegou ao fim e teve mais um recorde: 188 milhões de toneladas, revertidas em divisas ao Brasil. Assim, a balança comercial brasileira foi positiva graças ao agronegócio que não parou e continuou sua trajetória. Os resultados já estão sendo divulgados. No campo a copa do mundo já começou! Como disse a senadora Katia Abreu “o agronegócio, antes uma fera, se transformou na Bela, a menina ou menino de ouro do Brasil”.

Finalmente o governo enxergou isso, aleluia!

Avançamos em alguns aspectos: portos, rodovias, recursos para construção de armazéns e um novo modelo de extensão rural que levará tecnologia aos grandes produtores com menores áreas.

No entanto, devo dizer que precisamos ter cautela, mesmo que as projeções para safra 2013/2014 sejam muito otimistas já que certamente chegaremos a um novo recorde de produção, próximo de 200 milhões de toneladas, e isso é espetacular!

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Mas, cuidado! Muito otimismo às vezes não é bom, precisamos pensar. Produzir muito sem ter estrutura para escoar é um problema grave. Imagino que isso tire o sonho de muitos produtores, pois produzir e não ter como escoar e nem armazenar, pode gerar prejuízo ao invés de renda. Será muito difícil ter rodovias prontas e em bom estado já que as reformas dos portos não estarão concluídas para essa grande safra. Os armazéns estarão em construção. Se a safra se concretizar, como as projeções dizem, como faremos?

Ainda temos mais uma informação que pode dificultar a vida dos produtores. Alguns economistas fizeram uma analise do PIB do agro: em 2013 ele cresceu 10%, mas nas previsões para 2014, ele não deve ultrapassar 7% de crescimento. Isso é bom? Excelente, mas há algo obscuro nisto, perdemos 3%. Em algumas regiões o agro não está contratando mais, ora por custos ou ora por falta de gente.

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Em relação aos preços das commodities ainda continuam bons, mas os custos de produção aumentaram. O que faz o produtor produzir mais na mesma área para pagar seu custeio, certamente às margens terão que diminuir, haja vista que nossos maiores concorrentes: Estados Unidos e Argentina tiveram e possivelmente terão uma boa safra.

O campo é como um jogo de xadrez. Podemos errar em alguns momentos, mas não podemos perder nossas melhores peças, por isso, nesta safra, quem errar menos terá melhores resultados, pois ainda continuaremos tendo um bom ano, com boas margens, só que menores.

Por isso, o gerenciamento dos custos, principalmente de defensivos, mão de obra e óleo diesel serão fundamentais para manutenção da rentabilidade do campo. O fato é que todos os anos o campo joga uma copa do mundo, diferente um pouco da copa do mundo da FIFA que ocorre a cada quatro anos. Nesses últimos anos estamos levantando a taça. Espero que em 2014 não seja diferente. Assim, seremos campeões no agro e no futebol. Avante Brasil!

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Por José Annes Marinho

Engenheiro Agrônomo,

Gerente de Educação da Associação

 Nacional de Defesa Vegetal – Andef.

 

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