Descobrir um câncer marca qualquer pessoa, que inicia a partir disso uma batalha pela vida. A doença, que quando superada é uma verdadeira vitória, já assustou a velocista Joelma das Neves. Descobrir um câncer no ovário, contudo, não passou perto das dificuldades pelas quais vive hoje uma das principais promessas do atletismo brasileiro. Sem clube desde julho do ano passado, Joelma enfrenta todas as incertezas e dificuldades que um atleta de alto rendimento, promessa olímpica, não merecia viver.

A saída do maior clube de atletismo do Brasil, o BM&F Bovespa, foi traumatizante. O corte incomum ainda no meio da temporada e à véspera do Mundial preocupou Joelma. O que a atleta não esperava, no entanto, era que, depois de seis meses, iniciaria a temporada sem um nova “casa”. A condição já fez com que pensasse em deixar Praia Grande (SP), onde treina, para retornar não ao conforto, mas à segurança do lar.

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– Tudo é meio angustiante. Ficar sem resposta próximo a uma olimpíada é complicado e eu não quero parar agora. Quero seguir. Tudo o que eu tenho é o atletismo, para me manter, para estudar. Se não conseguir um clube, vou ter que voltar para casa. Isso não precisa acontecer logo agora que estou em meu melhor momento – afirma.

Momento este que possivelmente tenha sido fundamental para que Joelma não perdesse o foco. Mesmo em meio a preocupações e incertezas, desde que ficou sem clube, a velocista só deixou de treinar apenas no natal e no feriado de ano novo.

– Estou treinando bem, graças a Deus. Comecei treinar ano passado para este ano. Mas estou dividida porque minhas metas são o Pan-Americano (2015) e as Olimpíadas (2016), e a falta de clube preocupa. Para sair bem, a gente precisa estar com a cabeça boa e sem preocupação – analisa.

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Fé não costuma falhar

Em 2013, Joelma alcançou conquistas inéditas em suas carreira. No Troféu Brasil de Atletismo, a velocista faturou ouro nos 400 metros/rasos. A medalha levou a atleta ao Campeonato Sul-Americano, onde também foi campeã. O título deu o direito de disputar sua primeira prova individual no Mundial, principal objetivo de Joelma. Resultados que se tornaram incoerentes com a atual condição.

– No momento estou no clube de Deus. Entreguei para ele. Não perdi a confiança de que vai dar tudo certo. Não é fácil. Ter uma meta e uma coisa atrapalhando você é muito complicado. Mas não perdi o foco por estar sem clube – afirma.

Esquecidos

O desabafo de Joelma das Neves sobre as condições no atletismo lembram as palavras do levantador Bruninho, da Seleção Brasileira de Vôlei. Com salários atrasados, o jogador deixou o Brasil e ainda falou que pode acontecer uma “debandada” de atletas. Tudo por falta de apoio.

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– Infelizmente isso é o Brasil. Temos aí uma Copa do Mundo e uma Olimpíada em casa e não olham pela gente. Não estaríamos em uma situação dessa se tivéssemos apoio e não falo só por mim. Está acontecendo com outros esportes. A atenção é dada só para o futebol – diz Joelma.

Esperança

As próximas semanas serão crucias para a carreira de Joelma das Neves.O prazo para que os clubes inscrevam atletas termina no final de janeiro. Apesar de correr contra o tempo, a velocista revela não ter perdido as esperanças.

– Mudei para um lugar mais barato. Estou me mantendo com o que guardei. Não queria passar por essa situação. Mas já tive vários testes difíceis e acredito que esse seja só mais um. Graças a Deus hoje tenho saúde e eu sei que vai aparecer um clube – finaliza a velocista.

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